Sentir irritação, dificuldade de concentração ou mudanças rápidas de humor
Às vezes, pode parecer que qualquer coisa irrita: um colega falando alto, uma tarefa chata, um atraso no recreio. Em outros momentos, é como se a vontade de se concentrar sumisse, mesmo em coisas que normalmente interessam.
E, de repente, o humor muda do nada, de animado(a) para nervoso(a), ou de calmo(a) para triste. Isso não significa que a pessoa seja “mal-humorada” ou “preguiçosa”, pode ser que o cérebro esteja tendo dificuldade para controlar emoções e manter o foco.
Essas mudanças não acontecem só em dias ruins, mas sim com frequência, atrapalhando amizades, estudos e até momentos de lazer.
O que é esperado?
O que é esperado é que, mesmo com altos e baixos, ainda dê para estudar, se divertir e se relacionar sem muitos conflitos.
Todo mundo fica irritado ou distraído de vez em quando. É natural mudar de humor ao longo do dia, especialmente se algo chato acontece. Mas, na maioria das vezes, a pessoa consegue sair desse estado após um tempo.
Na maioria das vezes, esse sentimento aparece e vai embora em menos de 30 minutos. Ele costuma surgir quando algo não acontece do jeito que a gente queria ou quando somos obrigados a fazer algo que não queremos.
Nessas horas, pode até dar vontade de gritar, chorar, bater o pé ou até chutar algo.
Durante a adolescência, ainda estamos aprendendo a lidar com emoções intensas. Por isso, às vezes, é mais difícil se acalmar do que para os adultos.
Ficar bravo com frequência também pode acabar nos afastando de experiências boas. Se a raiva aparece muitas vezes por semana ou dura muito tempo, ela pode atrapalhar momentos legais com amigos, família ou na escola.
Muitas vezes, a gente acaba ficando mais irritado(a) com quem está mais perto, como pais ou responsáveis, porque são essas pessoas que estão sempre por perto e em quem confiamos mais. Já com os amigos, costumamos tentar controlar a raiva para não prejudicar as amizades.
Quando devo me preocupar?
Ficar bravo com facilidade pode significar várias coisas.
- Pode ser uma resposta natural a algo que parece injusto ou a uma situação em que você se sente desrespeitado(a).
- Pode estar ligado a sentimentos como tristeza, ansiedade ou insegurança.
- Às vezes, é um sinal de que você precisa de apoio para lidar com o que está sentindo.
Devemos nos preocupar com a raiva quando ela atrapalha nossa vida ou incomoda os outros por acontecer demais ou ser muito forte. Ficar bravo(a) com frequência pode mostrar que precisamos de ajuda.
Muitas vezes, isso vem junto com:
- Sentir-se muito triste
- Sentir ansiedade
- Baixa autoestima
- Problemas para dormir
- Dificuldade na escola
- Experiências ruins
A raiva persistente é preocupante quando:
- Você fica mal-humorado(a) com amigos, familiares e na escola com frequência.
- A raiva dura muito tempo, podendo durar dias ou semanas.
- Você se irrita muitas vezes num mesmo dia.
- Tem vontade forte de bater, chutar ou morder.
- Fica bravo(a) sem motivo claro e de forma muito intensa.
Se sentir que não tem controle sobre como reage ou se isso está atrapalhando muito, é hora de buscar apoio, pois você pode estar precisando de um suporte maior.
O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?
Raiva que aparece com frequência ou não passa sozinha pode ser difícil de lidar, mas ninguém precisa enfrentar isso sozinho(a).
Aqui vão algumas atitudes que podem ajudar:
- Converse com alguém de confiança. Pode ser um familiar, professor(a), conselheiro(a) ou outro adulto de referência. Falar sobre o que está acontecendo pode trazer alívio e ajudar a entender melhor a situação.
- Observe o que costuma incomodar. Reparar nas situações que despertam raiva ajuda a identificar gatilhos e pensar em formas de lidar com eles.
- Busque formas de se acalmar. Respirar fundo, sair para caminhar, ouvir uma música tranquila ou fazer algo que ajude a relaxar pode fazer diferença.
- Cuide do bem-estar. Dormir bem, se alimentar direito, se movimentar e fazer atividades que trazem prazer ajudam a lidar melhor com as emoções do dia a dia.
- Valorize as qualidades. Lembrar do que você faz bem fortalece a autoestima e pode ajudar a se sentir mais confiante.
- Reconheça os pequenos progressos. Cada vez que você ou alguém próximo consegue lidar melhor com a raiva, isso já é um avanço. Reconhecer esses momentos é importante.
- Esteja presente para quem precisa. Se alguém próximo estiver passando por isso, escute com empatia, evite julgamentos e, se possível, incentive a procurar apoio. Às vezes, estar por perto e oferecer um espaço seguro para conversar já ajuda muito.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Se você tem dificuldades com a raiva, saiba que há ajuda disponível.
Você também pode dividir sua dificuldade com um(a) profissional da sua escola, ou um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
Esse profissional vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.
No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:
- Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
- Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
O importante é não guardar tudo sozinho(a), certo? Com apoio adequado, dá para aprender a lidar melhor com o que está acontecendo e encontrar formas mais leves de lidar com os desafios que fazem parte da nossa vida.
Onde encontrar
mais informações
Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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