Sentir desconfiança dos outros, ter pensamentos estranhos ou sentir que está ouvindo vozes ou vendo pessoas que ninguém mais vê
Às vezes, os estudantes vivenciam coisas que parecem estranhas ou incomuns. Eles podem ouvir vozes que os outros não conseguem ouvir ou ver coisas que não estão lá. Podem ficar desconfiados de outras pessoas sem motivo ou ter crenças que não parecem reais. Também podem agir de maneiras que adultos têm dificuldade em entender.
Essas experiências podem ser assustadoras tanto para o(a) estudante quanto para os educadores. Esses sinais não indicam preguiça, rebeldia ou “exagero”, mas mudanças na maneira como o cérebro processa informações.
É importante lembrar que esses problemas não são culpa do(a) estudante e que ajuda está disponível. A intervenção precoce e o apoio podem fazer uma grande diferença em suas vidas.
Como educador(a), reconhecer esses sinais e proporcionar um ambiente de apoio pode ajudar os estudantes a se sentirem seguros e compreendidos.
O que é esperado?
É comum que estudantes mais jovens tenham imaginações ativas. Eles podem ter amigos imaginários, falar sozinhos ou acreditar em criaturas mágicas. Isso faz parte do desenvolvimento natural. À medida que as crianças crescem, elas aprendem a distinguir entre fantasia e realidade. Veja:
- Até os 3 anos: Os estudantes geralmente conseguem recitar o alfabeto e cantar a “música do alfabeto.” Podem ter amigos imaginários e criar cenários.
- Entre 3 e 4 anos: Os estudantes começam a reconhecer letras e palavras simples. Ainda podem ter amigos imaginários e criar cenários.
- Até os 5 anos: Os estudantes entendem que coisas imaginárias não são reais e conseguem distinguir entre fantasia e realidade.
- Até os 10 anos: Os estudantes conseguem diferenciar cenários de faz de conta e situações da vida real, como em filmes ou jogos.
- Até os 14 anos: Os estudantes começam a questionar crenças e explorar novas ideias, o que faz parte do processo natural de amadurecimento.
Quando devo me preocupar?
Às vezes, ouvir ou ver coisas pode ser apenas parte da imaginação ou de brincadeiras de faz de conta. Mas quando essas experiências são frequentes, causam sofrimento ou atrapalham a vida escolar, podem ser sinal de um problema maior.
Essas situações podem ser confusas e assustadoras para o(a) estudante, e muitas vezes dificultam a concentração nas aulas ou a interação com colegas. Por isso, é importante que os(as) educadores(as) fiquem atentos a mudanças significativas e saibam diferenciar imaginação criativa de experiências que parecem muito reais para o(a) aluno(a).
Sinais que merecem atenção incluem:
- Ouvir vozes: o(a) estudante relata escutar vozes que os outros não ouvem.
- Ver coisas: o(a) estudante vê sombras, figuras ou pessoas que não estão lá.
- Crenças incomuns: acreditar em coisas que não são verdade, como ter poderes especiais, estar sendo perseguido(a) ou achar que alguém quer prejudicá-lo(a).
- Pensamento e fala confusos: dificuldade para organizar ideias, se comunicar ou se concentrar. Sensação de estar sendo controlado(a): acreditar que alguém está manipulando seus pensamentos ou ações.
- Comportamentos diferentes ou estranhos: falar sozinho(a) em público, agir de forma muito incomum para a idade ou apresentar rituais repetitivos sem sentido aparente.
O(a) educador(a) deve perceber a diferença entre imaginação e experiências que causam sofrimento ou comprometem o desempenho. Observar padrões, frequência e intensidade dessas experiências é essencial.
Estudantes com essas percepções podem se sentir incompreendidos, ridicularizados ou ameaçados, tornando o ambiente escolar mais desafiador para eles.
Quanto mais cedo forem identificados os sinais, mais eficazes serão as medidas preventivas e de tratamento, garantindo que o(a) estudante continue a aprender e se relacionar de forma segura.
Ignorar os sinais pode agravar o sofrimento, aumentar a desconfiança e prejudicar o desenvolvimento acadêmico e emocional.
O que posso fazer para ajudar?
Como educador(a), você pode apoiar os estudantes que enfrentam esses desafios criando um ambiente seguro e compreensivo. Aqui estão algumas estratégias que você pode usar:
- Reforce e valide: Diga para o(a) aluno(a) que você acredita nele(a) e que pode ajudá-lo(a). Não minimize a situação, pois para ele(a), o que ele(a) está vendo, ouvindo ou sentindo, é real.
- Crie uma sala de aula acolhedora: Incentive a comunicação aberta e deixe os estudantes saberem que podem conversar com você se estiverem se sentindo confusos ou assustados.
- Mantenha uma rotina: Ajude os estudantes a seguir um cronograma regular com horários e atividades consistentes para proporcionar estabilidade.
- Reduza o estresse: Incorpore técnicas de relaxamento, como exercícios de respiração profunda ou atividades de mindfulness, na rotina da sala de aula.
- Incentive hábitos saudáveis: Promova uma alimentação saudável, exercícios regulares e um sono adequado entre os estudantes.
- Fique informado: Informe-se sobre os sinais de psicose e sobre como apoiar os estudantes que estão passando por esses sintomas.
- Estimule conexões: Incentive os estudantes a construir amizades e participar de atividades em grupo para reduzir sentimentos de isolamento.
- Monitore mudanças: Observe qualquer alteração no comportamento ou no desempenho acadêmico e comunique-se com os pais ou responsáveis, se necessário.
- Comunique-se com os cuidadores Informe a família sobre suas observações e preocupações. Procure manter uma comunicação respeitosa, lembrando que cuidadores e escola podem atuar juntos para apoiar o(a) aluno(a).
- Ative a rede de apoio escolar Converse com o(a) orientador(a) escolar, enfermeiro(a), psicólogo(a), ou direção. Trabalhar em equipe ajuda a definir os próximos passos e garante que o(a) estudante receba o suporte necessário.
Lembre-se: o papel enquanto educador(a) envolve orientar a família sobre como ela pode lidar com essa dificuldade, e criar um ambiente escolar que seja seguro para o(a) estudante.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Enquanto educador(a), você pode ajudar orientando a família sobre a quem eles devem recorrer.
A primeira recomendação é que eles conversem com o pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo(a) para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.
Além disso, você também pode sugerir que eles busquem atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Orientadores educacionais, psicólogos escolares e equipes multiprofissionais da rede pública ou privada são aliados importantes. Encaminhamentos devem sempre ser feitos com delicadeza e responsabilidade.
O objetivo é garantir que o(a) estudante tenha suporte seguro, acolhimento e acompanhamento profissional para retomar o bem-estar emocional e a rotina escolar de forma saudável.
Guias de Bolso
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