Sentir desconfiança dos outros, ter pensamentos estranhos ou sentir que está ouvindo vozes ou vendo pessoas que ninguém mais vê
Às vezes, você pode começar a perceber coisas que parecem reais, mas que ninguém mais vê ou ouve.
Pode ser uma voz chamando seu nome, uma pessoa ou figura que você percebe, ou ideias muito fortes que ninguém mais percebe como você.
Para você, tudo parece super real, e isso pode dar medo, confusão ou desconforto. Como consequência, você pode ficar mais desconfiado, evitar pessoas, se isolar ou reagir a situações que os outros nem percebem.
Essas experiências não significam que você está “inventando” ou tentando chamar atenção. Elas mostram que seu cérebro está processando informações de um jeito diferente e, por isso, pode ser mais difícil diferenciar o que é real do que é imaginado.
Quando isso acontece, pode atrapalhar sua rotina, a escola, os amigos e até a sua sensação de segurança. Saber que isso é um sinal de que você precisa de apoio é o primeiro passo para se sentir melhor.
Com ajuda, é possível aprender a lidar com essas experiências, reduzir o medo e retomar sua vida do jeito que você gosta.
Continue neste guia para entender melhor.
O que é esperado?
É natural que crianças e adolescentes tenham imaginações ativas e, às vezes, acreditem em coisas que não são reais, como amigos imaginários ou histórias fantásticas. À medida que você cresce, sua compreensão do que é real e o que não é fica mais clara.
- Até os 5 anos: As crianças brincam de faz de conta e podem ter amigos imaginários.
- Entre 6 e 8 anos: As crianças começam a entender a diferença entre o real e o imaginário, mas suas imaginações ainda estão ativas.
- Entre 9 e 11 anos: O pensamento das crianças se torna mais lógico e realista.
- Entre 12 e 14 anos: O pensamento se torna mais abstrato e complexo, mas geralmente há compreensão da realidade.
O esperado é que, conforme o cérebro amadurece, a gente consiga distinguir mais claramente o que é real e o que é fruto de imaginação.
Quando devo me preocupar?
Às vezes, imaginar coisas faz parte da criatividade. Mas quando experiências estranhas acontecem de verdade, com frequência, e começam a atrapalhar a vida, pode ser sinal de um problema maior. Isso pode ser confuso e assustador, e também dificultar a concentração na escola ou a convivência com amigos.
Fique atento se você ou um(a) amigo(a):
- Ouve vozes que mais ninguém ouve, como se alguém falasse, mas não há ninguém por perto.
- Vê coisas que não estão lá, como sombras ou figuras que outras pessoas não veem.
- Acredita em coisas incomuns, como ter poderes especiais, estar sendo perseguido(a) ou achar que há câmeras escondidas em casa.
- Tem pensamentos muito confusos, que se misturam e dificultam se concentrar ou se comunicar.
- Sente que está sendo controlado(a) por alguém ou por algo de fora.
- Age de maneiras diferentes, como falar sozinho(a) em público ou ter comportamentos que parecem muito estranhos para os outros.
Se essas coisas acontecerem com você ou com alguém próximo, não ignore. Conversar com um adulto de confiança, como pais, professores ou outro responsável, é o primeiro passo para entender o que está acontecendo e receber ajuda.
Lembre-se: não é “drama” nem “imaginação”. Quando essas experiências se repetem ou atrapalham a vida, é um sinal de que vale a pena buscar apoio.
O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?
Se você ou um(a) amigo(a) está passando por essas experiências, há maneiras de conseguir ajuda.
Aqui estão algumas coisas para tentar:
- Converse com alguém: Se você ou seu(sua) amigo(a) está se sentindo assim, compartilhe com um adulto de confiança. Eles podem oferecer apoio e ajudar a entender o que está acontecendo.
- Mantenha uma rotina: Tente manter horários regulares para dormir, comer e se exercitar. Isso pode ajudar você e seu(sua) amigo(a) a se sentirem mais equilibrados e no controle.
- Evite estresse: Encontre maneiras de relaxar, como respiração profunda ou meditação. Essas técnicas podem ajudar a acalmar sua mente e a reduzir a ansiedade, seja para você ou para um(a) amigo(a).
- Evite substâncias: Álcool e drogas podem piorar essas experiências, deixando os pensamentos ainda mais confusos e assustadores. Ficar longe delas ajuda a proteger sua mente e facilita lidar com o que está acontecendo.
- Mantenha-se conectado com pessoas reais: Passe tempo com amigos e familiares, ou ajude um(a) amigo(a) a ficar próximo de quem se importa. Estar rodeado(a) de pessoas que se preocupam pode trazer conforto.
- Faça o que gosta: Envolva-se em atividades que tragam felicidade, como hobbies ou esportes, e incentive seu(sua) amigo(a) a fazer o mesmo. Essas atividades podem melhorar o humor e manter o foco nas coisas boas.
- Aborde a ansiedade: Se você ou seu(sua) amigo(a) está com muitas preocupações ou medos, falar sobre isso com alguém de confiança pode ser o primeiro passo. Entender os sentimentos pode tornar tudo mais fácil de lidar.
Lembre-se de que ninguém precisa enfrentar sozinho essas percepções: pedir ajuda é um sinal de cuidado com você mesmo, não de fraqueza.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Olha, tudo bem se você não souber por onde começar. Mas saiba que se você está passando por alguma dessas experiências, é importante buscar ajuda. A intervenção precoce pode melhorar e muito essa sensação. Não demore em procurar ajuda se estiver preocupado.
Com orientação certa, você pode aprender a lidar com essas percepções e viver com mais segurança e tranquilidade.
Você pode ser atendido por um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Esse médico vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.
No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:
- Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
- Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
O que você sente é real para você, e tudo bem precisar de ajuda para lidar com isso. O importante é que você consiga retomar a sua rotina com mais segurança, bem-estar e apoio.
Guias de Bolso
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