Repetição de ações ou rotinas

Alguns estudantes têm uma necessidade marcante de manter rotinas fixas e repetir certas ações ou padrões de comportamento.

Isso pode aparecer de várias formas: repetir movimentos como balançar as mãos ou o corpo, usar sempre os mesmos objetos de forma específica, repetir frases, sons ou perguntas diversas vezes, ou resistir fortemente a mudanças na rotina da sala de aula.

Essas repetições não são necessariamente sinais de desatenção ou desobediência. Muitas vezes, são formas de lidar com a ansiedade, organizar o ambiente interno ou processar informações.

O que é esperado?

Crianças pequenas geralmente gostam de repetir brincadeiras, frases ou comportamentos. Isso faz parte do desenvolvimento. Na escola, também é comum que estudantes apreciem rotinas, pois elas dão previsibilidade.

Veja alguns exemplos:

  • Bebês: Costumam ter objetos preferidos e fazem movimentos repetitivos, como balançar o corpo ou bater as mãos.
  • Crianças pequenas: Podem preferir sempre os mesmos brinquedos, histórias ou rituais (como uma rotina fixa para dormir, ou ter uma mantinha preferida na hora de descansar).
  • Crianças da educação infantil: Começam a repetir brincadeiras, colecionar objetos ou mostrar grande interesse por um assunto (como carros, dinossauros ou planetas). Algumas aprendem muito sobre esses temas.
  • Estudantes mais velhos: Desenvolvem hobbies ou interesses específicos e gostam de repetir rotinas. Preferem fazer as coisas sempre da mesma forma e podem se aprofundar bastante nos temas de que mais gostam.

A maioria também consegue entender o que é apropriado ou não em sala de aula e adaptar seu comportamento conforme o contexto.

Quando o(a) estudante demonstra um nível muito alto de rigidez, com sofrimento intenso diante de mudanças ou com repetições que interferem no andamento da aula, isso foge do que é esperado e pode sinalizar a necessidade de apoio especializado.

Quando devo me preocupar?

É importante ficar atento quando:

  • Esses comportamentos atrapalham a participação nas atividades da sala.
  • Causam dificuldades para se relacionar com os colegas.
  • Geram crises ou explosões emocionais se forem interrompidos.

Veja alguns sinais que podem indicar a necessidade de apoio:

Interesses restritos:

  • O(a) aluno(a) fala o tempo todo sobre o mesmo assunto ou quer repetir sempre a mesma atividade.
  • Tem apego forte a objetos incomuns, como uma escova ou uma pedra.

Rigidez com rotinas:

  • Fica muito nervoso(a) com pequenas mudanças na rotina, podendo levar a crises, por exemplo, quando há mudança na disposição das carteiras, no horário de uma aula ou no conteúdo de uma atividade.
  • Tem dificuldade de se adaptar a situações novas, como uma atividade surpresa em sala.
  • Se incomoda quando os outros não seguem as regras exatamente como ele espera.

Comportamentos repetitivos:

  • Repete movimentos com as mãos ou o corpo, como balançar, bater palmas ou girar os dedos.
  • Organiza objetos sempre da mesma forma, como alinhar brinquedos ou separar por cor.
  • Gira objetos ou os coloca em fileiras.

Sensibilidade sensorial:

  • Reage muito mal a barulhos altos, como o da campainha ou microfone.
  • Se incomoda com luzes muito fortes.
  • Reclama de roupas com certas texturas.
  • Se incomoda com cheiros ou sabores fortes.
  • Evita algumas comidas por causa da cor, cheiro ou textura.

Quando esses comportamentos são frequentes é hora de prestar ainda mais atenção.

O que posso fazer para ajudar?

Como professor(a), sua paciência e apoio fazem muita diferença. Aqui vão algumas estratégias e acomodações que podem ajudar em sala de aula:

  1. Reduza a ansiedade: Busque criar um ambiente tranquilo na sala, com pouco barulho e uma fala suave.
  2. Mantenha uma rotina previsível: Avise sobre mudanças com antecedência, usando linguagem objetiva para explicar o que vai acontecer. Isso ajuda o(a) aluno(a) a se preparar e a se sentir mais seguro(a).
  3. Faça adaptações sensoriais: ajuste luzes, sons e disposição da sala para reduzir estímulos que possam causar desconforto. Permita o uso de abafadores de ouvido, óculos com lente escura ou objetos que ajudem na autorregulação.
  4. Use os interesses do(a) aluno(a) e adapte tarefas: Tente incluir os temas que ele(a) gosta nas atividades e conteúdos da aula. Isso pode aumentar o engajamento.
  5. Dê escolhas dentro das atividades: Quando o(a) aluno(a) pode escolher (mesmo que dentro de opções limitadas), ele(a) tende a aceitar melhor o que é novo.
  6. Elogie a flexibilidade: Quando o(a) aluno(a) experimentar algo novo ou aceitar uma mudança, elogie de forma clara e positiva.
  7. Permita pausas curtas: ofereça momentos para o(a) aluno(a) se acalmar ou realizar um comportamento repetitivo sem ser interrompido, retomando a atividade depois.
  8. Ofereça objetos de apoio: em vez de retirar de forma brusca um objeto de interesse, permita que ele acompanhe a criança como suporte durante as transições.
  9. Valorize a participação, mesmo que parcial: permita que o(a) aluno(a) contribua dentro do seu ritmo e vá aumentando gradualmente a flexibilidade.
  10. Promova apoio entre colegas: incentive atividades em pares ou pequenos grupos, em que os colegas incluam o(a) aluno(a) respeitando seus limites e interesses.
  11. Converse com a família: Compartilhe suas observações com os responsáveis e, se necessário, proponha uma reunião para pensar em estratégias em conjunto.

Com estrutura, escuta e flexibilidade, é possível promover a inclusão e o avanço do(a) estudante.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

O passo mais importante que a escola pode dar é orientar a família a buscar ajuda profissional. Pode sugerir o encaminhamento do(a) estudante a profissionais especializados, como fonoaudiólogo(a), pediatra, psicólogo(a) ou psiquiatra, conforme o caso.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência da família do(a) aluno(a), onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

A escola também pode propor rodas de conversa e oficinas sobre o tema com apoio de especialistas.

Quanto mais cedo for feito o encaminhamento, maiores são as chances do(a) estudante receber o cuidado necessário.

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