Repetição de ações ou rotinas

Você já percebeu que algumas pessoas (ou até você mesmo) gostam muito de repetir as coisas?

Pode ser fazer sempre o mesmo trajeto, organizar objetos de uma maneira específica ou repetir frases várias vezes.

Também pode acontecer de a pessoa ficar muito incomodada quando a rotina muda ou quando algo não acontece do jeito esperado. Isso não é apenas uma mania ou “frescura”.

Em alguns casos, isso faz parte de uma forma diferente de ver o mundo.

Para essas pessoas, repetir pode ser uma forma de se acalmar, de lidar com a ansiedade ou de se sentir no controle. Às vezes, pode até dar prazer repetir.

Mas às vezes, essa necessidade de repetição e rotina pode causar sofrimento quando as coisas não saem como planejado.

O que é esperado?

É natural que você ou alguém próximo à você (assim como todo mundo!) tenha interesses, rotinas e hábitos que gosta e que fazem com que se sinta confortável.

Veja como isso pode acontecer em diferentes momentos:

  • Quando você era mais novo: Talvez você adorasse estudar sobre o espaço, planetas e galáxias, falasse muito sobre isso, lesse sobre o assunto todos os dias e soubesse muito a respeito. Ou mesmo sobre as espécies de dinossauros, seus hábitos, evoluções. Todos nós já tivemos interesses como esses!
  • Na escola: Pode ser que você fizesse as mesmas tarefas do mesmo jeito todos os dias porque isso te fazia sentir mais organizado e no controle.
  • Em outros momentos: Você pode ter se interessado muito por um tema específico, aprendido bastante sobre ele e gostado de compartilhar isso com outras pessoas.

Gostar da rotina é super comum, e está tudo bem! Muitas pessoas se sentem mais tranquilas quando sabem o que vai acontecer.

Mas, com o tempo, é esperado que você consiga variar mais as atividades, aceitar mudanças nos planos e experimentar coisas novas, pois elas também podem ser positivas, certo?

Quando devo me preocupar?

Às vezes, ter interesses muito fortes ou fazer certas coisas repetidamente pode virar um problema se isso atrapalhar outras atividades importantes ou a convivência com amigos.

Se tentar parar esses comportamentos te deixa muito chateado(a), frustrado(a) ou ansioso(a), talvez seja hora de procurar ajuda.

Fique atento a alguns sinais que merecem atenção:

Interesses restritos:

  • Interesses muito específicos: Ter poucos assuntos ou atividades que te interessam muito e não querer falar ou fazer mais nada além disso, por achar que nada seria tão legal quanto fazer só aquilo.
  • Apego a objetos incomuns: Ficar muito apegado a objetos diferentes e não querer que ninguém toque ou mexa neles, por exemplo, um brinquedo, uma roupa ou acessório.

Apego a rotinas:

  • Ficar muito chateado com mudanças: Se sentir muito mal quando as coisas não acontecem como planejado ou quando sua rotina muda, por exemplo, uma aula que troca de horário ou um trajeto diferente até a escola.
  • Dificuldade com novidades: Ter dificuldade para experimentar coisas novas ou ir a lugares diferentes.

Comportamentos repetitivos:

  • Movimentos repetidos: Fazer movimentos como bater as mãos, balançar o corpo ou girar objetos várias vezes.
  • Organizar e alinhar coisas: Sentir que precisa arrumar objetos de um jeito específico ou colocar eles em ordem sempre.

Sensibilidade sensorial:

  • Sensibilidade a estímulos: Se incomodar com barulhos altos, luzes fortes, certos tecidos, cheiros ou sabores de uma maneira muito intensa.
  • Sensibilidade a alimentos: Não gostar de certos alimentos por causa da aparência, textura ou cheiro.

Repetir pode ser uma forma de se acalmar, mas se isso está virando algo que limita suas experiências, te isola ou causa conflitos, é hora de conversar com um adulto de confiança e procurar ajuda.

Identificar isso não significa que tem algo “errado” com você, certo? Significa que seu cérebro funciona de um jeito diferente e que você pode aprender formas mais seguras e tranquilas de lidar com o mundo.

O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?

Pode ser difícil e frustrante lidar com esses comportamentos e interesses repetitivos. Se você percebe que você ou um(a) amigo(a) está enfrentando isso, aqui vão algumas ideias que podem ajudar:

  1. Converse com um adulto de confiança. Pode ser um dos seus pais, alguém da família ou quem cuida de você. Essa pessoa pode te ajudar e procurar mais apoio, se for preciso.
  2. Fale com seu(sua) professor(a). Ele(a) pode perceber se algo está difícil e fazer mudanças na sala para te ajudar. Conte o que está difícil para que ele(a) possa te apoiar melhor.
  3. Tente diminuir as coisas que te deixam ansioso(a). Se algo te deixa muito nervoso(a), pense em formas de evitar. Por exemplo, se barulhos altos te incomodam, peça para sua família manter o ambiente mais silencioso, ou use dispositivos como óculos ou protetores de ouvido que podem ajudar.
  4. Organize uma rotina diária. Fazer as mesmas coisas todos os dias pode ajudar. Se você souber que algo vai mudar, peça ajuda para se preparar.
  5. Evite estímulos que incomodam. Fuja de lugares barulhentos ou com muita luz e use roupas confortáveis. Isso pode ajudar a se sentir mais calmo e focado.
  6. Experimente coisas novas aos poucos. Escolha uma atividade ou interesse novo para conhecer a cada semana. Isso ajuda a ampliar seus interesses sem sobrecarregar.
  7. Use um cronômetro para controlar atividades repetitivas. Programe um alarme para te lembrar quando é hora de parar e mudar de atividade. Isso ajuda a equilibrar seu tempo.

Lembrar que todo mundo tem jeitos diferentes de lidar com o mundo ajuda: o importante é encontrar formas de se sentir bem sem se machucar ou se isolar.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Se os comportamentos acontecem com muita frequência, são muito intensos, aparecem em muitos lugares e atrapalham o seu dia a dia, pode ser que você precise de ajuda profissional.

Fale com um adulto de confiança. O apoio cedo pode fazer muita diferença para o seu bem-estar.

Você pode dividir sua dificuldade com um profissional da sua escola, ou um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Esse profissional vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.

Nenhum desses profissionais vai te “mudar” ou te forçar a deixar de ser quem você é, fica tranquilo(a)! O que eles fazem é te ajudar a viver melhor, com mais segurança e menos sofrimento.

No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
  • Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

O mais importante é saber que você não está sozinho(a) e que existem caminhos para se entender melhor e para ser acolhido exatamente do jeitinho que você é.

Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor e aproveitar uma variedade de coisas boas da vida!

Guias de Bolso

Repetição de ações ou rotinas

Onde encontrar
mais informações

Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

O que você
achou dos guias?

Conte pra gente o que você achou dos guias! Sua opinião pode nos ajudar a melhorá-los. Existe algum tema que você procurou e não achou?

Eu sou: