Preocupações com o início do desenvolvimento

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

É natural que cuidadores se perguntem se seu bebê ou criança pequena está se desenvolvendo dentro do esperado. Cada criança tem seu ritmo, mas existem marcos de desenvolvimento que costumam acontecer em certas idades.

Esses marcos incluem sorrir, sentar sem apoio, engatinhar, falar palavras simples, entre outros.

Quando uma criança demora a alcançar esses marcos ou perde habilidades que já havia desenvolvido, isso pode indicar preocupações com o início do desenvolvimento, por isso, é importante buscar orientação e mais informações com um profissional.

Identificar dificuldades cedo pode fazer muita diferença na vida da criança.

O que é esperado?

Cuidadores podem acompanhar o desenvolvimento da criança observando alguns marcos principais:

Motricidade grossa (movimentos grandes do corpo):

  • Sentar sem apoio por volta dos 7 meses
  • Andar segurando em algo por volta dos 10 meses
  • Ficar de pé sem ajuda por volta dos 11 meses
  • Andar por volta de 1 ano e 1 mês
  • Subir escadas um degrau por vez por volta de 1 ano e 4 meses
  • Correr por volta de 1 ano e 6 meses
  • Chutar uma bola por volta dos 2 anos
  • Pegar uma bola jogada para ela por volta dos 3 anos de idade
  • Usar um triciclo por volta dos 3 anos de idade

Motricidade fina (movimentos pequenos e delicados):

  • Fazer movimento de pinça com os dedos (polegar e indicador) para pegar coisas pequenas por volta de 1 ano de idade
  • Rabiscar por volta de 1 ano de idade
  • Empilhar alguns blocos por volta de 1 ano e 3 meses
  • Copiar o desenho de um círculo por volta dos 2 anos
  • Colocar miçangas em um fio por volta dos 3 anos de idade
  • Usar tesoura para cortar formas simples, como círculos e quadrados, por volta dos 4 anos
  • Escrever o próprio nome aos 5 anos, se ensinado

Linguagem:

  • Balbuciar (fazer sons de bebê, como se estivesse tentando falar, como “ba-ba”ou “da-da” por volta dos 6 meses
  • Balançar a cabeça para dizer “não” por volta dos 8 meses
  • Imitar sons por volta dos 9 meses
  • Usar uma palavra com significado por volta dos 11 meses
  • Usar de 3 a 5 palavras por volta de 1 ano e 3 meses
  • Falar frases com duas palavras por volta dos 2 anos
  • Falar frases com duas ou três palavras por volta dos 3 anos de idade
  • Ter de 300 a mais de 1000 palavras por volta dos 4 anos de idade

Habilidades sociais:

  • Mostrar objetos para um(a) cuidador(a) por volta de 1 ano
  • Apontar para objetos por volta de 1 ano de idade
  • Iniciar brincadeiras de faz de conta por volta do 1 ano e 6 meses (por exemplo, fingir que está dando comida a uma boneca ou falando ao telefone de brinquedo)
  • Participar de brincadeiras paralelas (brincar perto de outras crianças, mas não junto) por volta de 2 anos
  • Esperar sua vez em uma brincadeira por volta dos 2 anos e 9 meses
  • Dividir brinquedos ou objetos com outras pessoas, sem que alguém precise pedir, aos 3 anos de idade
  • Usar a imaginação de forma mais elaborada nas brincadeiras por volta dos 3 anos de idade (como criar histórias com personagens inventados, mundos imaginários ou situações mais complexas durante o brincar)
  • Ter um(a) amigo(a) preferido(a) por volta dos 4 anos.

É importante destacar que cada criança se desenvolve de forma diferente. Algumas podem andar cedo, outras falar mais tarde. Pequenas variações são comuns, por isso, um atraso em uma área nem sempre é motivo de preocupação.

Se a criança estiver aprendendo novas habilidades, ainda que de forma mais lenta, pode não ser motivo de grandes preocupações.

Quando devo me preocupar?

Cada criança se desenvolve em seu próprio ritmo, mas alguns sinais podem indicar a necessidade de atenção especial. É importante observar se a criança demora muito para alcançar marcos como sentar, engatinhar, andar ou falar.

Também pode ser um sinal de preocupação quando ela perde habilidades que já havia aprendido, como deixar de usar palavras que já falava, ou quando apresenta dificuldade para aprender coisas novas em comparação com outras da mesma idade.

Outro ponto de atenção é quando a criança evita brincar ou falar com outras pessoas, ou apresenta formas incomuns de brincar, como apenas bater ou jogar brinquedos. Algumas crianças podem reagir de maneira intensa a ambientes barulhentos ou movimentados, mostrando muito desconforto. Também é motivo de atenção quando a criança parece “desconectada”, sem responder ou reagir adequadamente ao que acontece ao seu redor.

Esses sinais podem ter diferentes causas, como:

  • Problemas de visão ou audição
  • Transtorno do espectro do autismo, dificuldades de aprendizagem ou deficiência intelectual
  • Questões médicas (como condições genéticas ou prematuridade)
  • Exposição a substâncias nocivas durante a gestação (como chumbo ou álcool)
  • Abuso ou trauma na primeira infância

Caso observe esses sinais, procure um profissional para uma avaliação detalhada. O acompanhamento precoce pode trazer benefícios importantes para o aprendizado, a comunicação e o desenvolvimento social e emocional da criança.

O que posso fazer para ajudar?

Saber como agir é essencial para o papel de cuidadores.

Veja algumas coisas que você pode fazer:

  • Observe com atenção: Fique atento à forma como a criança se movimenta, fala e brinca. Crianças aprendem muito rápido nos primeiros anos. Cada semana conta!
  • Identifique as dificuldades: O que está mais difícil — falar? andar? brincar com outras crianças? Descubra onde estão os desafios.
  • Converse com os professores: Se notar algo diferente ou preocupante, pergunte aos educadores o que estão observando na escola.
  • Fale, leia e cante: Conversar, ler e cantar com a criança ajuda muito no desenvolvimento da linguagem. Faça isso com atividades do dia a dia, por exemplo, “Agora vamos pegar o copo azul para beber água” ou “Vamos pegar o sabonete para lavar as mãos”.
  • Fale sobre sentimentos: Ensine palavras para descrever emoções. Se a criança estiver brava, diga algo como “Você parece zangado agora.”
  • Ajudando com emoções fortes: Ensine a criança a respirar fundo quando estiver chateada. Ajude-a a encontrar um lugar calmo ou um brinquedo favorito para se acalmar.
  • Brincar com outras crianças: Estimule, com carinho, a interação com outras crianças. Mostre que você está por perto se ela precisar.
  • Permita que ela explore o ambiente com segurança: Tocar objetos diferentes, sentir texturas, andar livremente, são exercícios que estimulam a criança. Incentive pequenas conquistas, como engatinhar até um brinquedo ou dizer novas palavras.

Se você tentou essas estratégias e ainda percebe que a criança está com dificuldades, talvez seja hora de procurar ajuda de um(a) especialista. Pergunte ao especialista o que pode praticar em casa e compartilhe dúvidas sobre as atividades.

É essencial manter a rotina de consultas pediátricas, pois o(a) profissional acompanha o desenvolvimento mês a mês e irá orientar sobre os encaminhamentos. Com apoio adequado, paciência e cuidado, a criança terá mais oportunidades de alcançar seu máximo potencial em cada fase.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

É natural se sentir preocupado quando a criança enfrenta dificuldades, mas existe ajuda disponível. Comece conversando com o(a) pediatra ou médico(a) de família da criança, pois o(a) profissional irá avaliar e, se necessário, encaminhar para um(a) neuropediatra, fonoaudiólogo(a), terapeuta ocupacional ou psicólogo(a) infantil.

Além disso, é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso. Busque uma unidade próxima à sua residência através do site da Secretaria de Saúde do seu município e/ou estado.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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