Fobia Específica
O medo é uma emoção humana natural diante de uma ameaça ou perigo. A Fobia Específica é um medo extremo, irracional, duradouro e incontrolável diante de algo (por exemplo, objeto, situação, animal, pensamento) que não é considerado perigoso.
Crianças e adolescentes com Fobia Específica geralmente não são ansiosos em outras situações, apenas quando veem aquilo que os assusta. As fobias específicas mais comuns incluem cães, palhaços, insetos, tempestades, sangue, injeções, escuro, espaços pequenos e barulhos altos.
Estar perto do objeto do medo ou até pensar sobre ele pode causar uma ansiedade intensa. Adolescentes com Fobia Específica geralmente entendem que seus medos não são lógicos, mas crianças mais novas, em geral, não compreendem isso. Elas farão o possível para evitar aquilo que as assusta, o que pode atrapalhar sua vida cotidiana.
Quais são os sintomas da Fobia Específica?
As Fobias Específicas geralmente se enquadram em uma das cinco categorias:
- Tipo Animal (cães, insetos, cobras, etc.)
- Tipo Ambiente Natural (tempestades, terremotos, inundações, incêndios, etc.)
- Tipo Sangue-Injeção-Ferimento (tomar vacina, ver sangue ou ferimentos)
- Tipo Situacional (voar, dirigir, altura, espaços pequenos)
- Outro Tipo (qualquer outro medo específico)
Sintomas centrais da Fobia Específica
- Ansiedade ou medo notável diante de algo específico
- A situação ou objeto quase sempre provoca ansiedade ou medo imediatos
- A situação ou objeto é ativamente evitado ou suportado com sofrimento evidente
- O medo, a ansiedade ou o comportamento de evitação são desproporcionais ao perigo real
Sintomas associados à Fobia Específica
- Birras ou mudanças de humor
- Choro
- Imobilidade (congelamento)
- Apego excessivo
- Tremores
- Tontura
- Suor
Como a Fobia Específica é diagnosticada?
Um(a) psiquiatra da infância e adolescência pode diagnosticar uma criança ou adolescente com Fobia Específica se:
- Houver medo extremo diante de algo que normalmente não é considerado perigoso;
- Se o medo, a ansiedade ou o comportamento de evitação forem muito maiores do que o esperado para sua idade e ocorrerem quase sempre diante do objeto ou situação temidos;
- E se os sintomas durarem seis meses ou mais, causando prejuízos significativos no dia a dia (por exemplo, na vida social, familiar, escolar, etc.).
O psiquiatra pode entrevistar e/ou avaliar tanto a criança quanto o responsável para entender melhor os detalhes do(s) medo(s).
Muitos profissionais também usam questionários ou formulários de avaliação do comportamento/emoções para ajudar no diagnóstico e na medição da gravidade do problema.
O profissional também buscará confirmar que o medo da criança ou adolescente não se deve a outra condição inesperada.
Fatos sobre a Fobia Específica
Frequência mundial da condição:
Estima-se que a Fobia Específica esteja presente em cerca de 6% da população europeia, embora as estimativas variem entre 6% e 9% dependendo da fobia. Os Transtornos de Ansiedade, em geral, estão presentes em 6,5% da população mundial.
Impacto da condição no Brasil:
Apesar de dados limitados, a estimativa de prevalência de transtornos de ansiedade no Brasil é de 2.9% em crianças (5-9 anos) e 8.6% em adolescentes (10-19 anos). Fobia Específica é um tipo de transtorno de ansiedade, e em relação a ele isoladamente, não há dados nacionalmente representativos.
Proporção entre os sexos:
A Fobia Específica é diagnosticada com mais frequência em meninas do que em meninos, com uma proporção estimada de 2:1.
Idade mais comum de início:
A idade média de início da Fobia Específica é de aproximadamente 5,5 anos — semelhante à idade média de início dos transtornos de ansiedade em geral.
Proporção de casos que surgem antes dos 18 anos:
De acordo com dados recentes, 75% dos indivíduos com Fobia Específica terão recebido o diagnóstico até os 18 anos de idade.
Quais são os fatores associados à Fobia Específica?
Alguns fatores comuns associados à Fobia Específica incluem:
- Fatores genéticos e familiares: A tendência a desenvolver um transtorno de ansiedade geralmente resulta da combinação de múltiplos genes interagindo com fatores ambientais. Ter um parente próximo com Fobia Específica aumenta a probabilidade de a criança desenvolver a mesma fobia.
- Fatores ambientais: Incluem experiências negativas (por exemplo, traumas), estilos parentais (como superproteção, controle excessivo ou incentivo à evitação), perda parental e separação dos pais.
Quais outros transtornos podem ocorrer junto com a Fobia Específica?
Embora cada criança e adolescente seja único, a Fobia Específica raramente aparece de forma isolada.
Aqueles que a apresentam têm maior risco de desenvolver outros transtornos de ansiedade (como Transtorno de Ansiedade Generalizada, Transtorno de Ansiedade de Separação ou múltiplas fobias específicas), além de depressão e transtornos bipolares.
Como a Fobia Específica é tratada?
A Fobia Específica é tratada com terapia. Os cuidadores e outros membros da família são parte fundamental do tratamento, pois podem ajudar a criança ou adolescente a praticar as habilidades aprendidas nas sessões.
Diversas abordagens terapêuticas são eficazes, mas a que possui mais evidências é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). A TCC utiliza várias técnicas cognitivas e comportamentais.
Uma dessas técnicas é chamada de exposição com prevenção de resposta (EPR), que consiste em expor a criança de forma lenta e gradual ao objeto do medo repetidamente, até que ela aprenda que a ameaça não é tão grave e o medo diminua. Esse tipo de tratamento funciona muito bem para a maioria das crianças com Fobia Específica.
Por exemplo, uma criança com medo de cães pode começar olhando uma foto de um cachorro, depois brincar com um cachorro de pelúcia. Aos poucos, ela se aproxima de cães reais e passa alguns minutos com eles.
Medicamentos não são, em geral, utilizados no tratamento da Fobia Específica.
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Clinical description, symptoms, and diagnostic information
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