Fazer coisas repetidamente, como checar portas, organizar objetos ou limpar

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

Algumas crianças e adolescentes fazem certas coisas repetidamente. Isso pode incluir checar várias vezes se a porta está trancada, organizar objetos de uma forma muito específica ou repetir movimentos como piscar os olhos, mexer os dedos ou tocar em objetos várias vezes. Às vezes, esses comportamentos seguem um padrão fixo e parecem difíceis de controlar.

Essas ações podem ser simples ou mais complexas. Em muitos casos, a criança sente que precisa fazer aquilo para se acalmar ou para evitar que algo ruim aconteça. Mesmo que pareçam estranhos para quem está de fora, esses comportamentos geralmente fazem sentido para a criança naquele momento.

Em alguns casos, a repetição desses comportamentos não significa que a criança está fazendo de propósito ou que é algo que ela pode simplesmente parar de fazer. Algumas dessas repetições podem estar relacionadas ao funcionamento do cérebro, e pode variar bastante de intensidade.

O que é esperado?

É comum que crianças gostem de rotina e repitam certos comportamentos. As rotinas trazem segurança, previsibilidade e conforto. Em casa, muitas famílias têm rotinas como horários para acordar, tomar banho, fazer lição ou dormir.

Além disso, algumas repetições fazem parte do desenvolvimento e não são motivo de preocupação, por exemplo:

  • Crianças entre 4 e 10 anos, costumam repetir brincadeiras ou histórias que gostam.
  • Crianças e adolescentes podem ter hábitos ou rituais antes de jogos, provas ou apresentações, como por exemplo, coçar o rosto, roer as unhas, estalar os dedos.
  • Algumas crianças criam manias, como organizar objetos sempre do mesmo jeito, repetir frases ou movimentos por costume ou para se sentirem mais calmas.

Esses comportamentos são comuns enquanto não causam sofrimento nem atrapalham a rotina da criança ou da família. Muitas vezes, essas repetições passam com o tempo ou mudam conforme a criança cresce e aprende novas formas de lidar com o que sente.

Quando devo me preocupar?

Vale observar mais de perto quando a criança ou adolescente:

  • Repete o comportamento muitas vezes ao longo do dia e não consegue parar
  • Fica muito angustiada ou irritada se for interrompida no ato que está sendo repetido
  • Gasta muito tempo fazendo essas ações, o que atrapalha o sono, os estudos ou a convivência com outras pessoas
  • Evita lugares, objetos ou pessoas por medo de tocar, sujar ou causar algo ruim
  • Pede repetidamente que alguém verifique se está tudo certo ou que fique por perto por medo de causar algum dano
  • Repete frases, orações ou ações até “sentir que está certo”
  • Repassa mentalmente conversas ou situações para garantir que não fez algo errado.

Também é importante prestar atenção se a criança apresenta movimentos ou sons repetidos que parecem acontecer fora de contexto. Esses comportamentos podem parecer automáticos ou acontecer mais quando a criança está ansiosa, cansada ou concentrada. Alguns exemplos:

  • Piscar os olhos com frequência
  • Mexer a boca, o nariz ou o rosto de forma repetitiva
  • Encolher os ombros ou sacudir partes do corpo
  • Cheirar objetos ou o próprio corpo repetidamente
  • Fazer barulhos com a garganta, fungar ou emitir sons de forma repetitiva
  • Tocar ou bater em objetos várias vezes, mesmo sem motivo aparente.

Também é importante se preocupar se a criança demonstrar ansiedade, vergonha ou tristeza por causa desses comportamentos, ou se os colegas começaram a zombar dela.

Quando acontecem com frequência e começam a interferir no bem-estar ou nas relações da criança, é sinal de que ela pode estar precisando de mais apoio.

O que posso fazer para ajudar?

Como cuidador(a), você pode ajudar sem pressionar ou brigar.

Veja algumas dicas:

  1. Converse com calma. Pergunte, com interesse e carinho, por que seu(sua) filho(a) está fazendo aquilo. Escutar pode ajudar a entender o que ele(a) está sentindo.
  2. Mostre que está presente. Diga que você percebe o que está acontecendo e que ele(a) pode contar com você. Isso ajuda a criança a se sentir segura.
  3. Busquem juntos outras formas de lidar. Pergunte se existe alguma outra coisa que poderia ajudá-lo(a) a se sentir mais calmo, como respirar fundo, ouvir uma música ou dar uma caminhada.
  4. Evite participar dos rituais. Mesmo que a criança peça, tente não reforçar os comportamentos repetitivos. Diga com carinho que está ali para ajudar, mas que não precisa fazer aquilo junto.
  5. Ajude a perceber que é possível fazer diferente. Combine pequenas mudanças aos poucos, como diminuir o número de vezes que ela repete uma ação, e elogie cada avanço.
  6. Mantenha a calma. Mesmo quando for difícil, tente manter um tom tranquilo. Isso ajuda a criança a se sentir mais estável e segura.
  7. Oriente familiares e professores a serem pacientes e respeitarem os limites da criança.
  8. Ajude a identificar situações que podem piorar comportamentos que pareçam involuntários, como estresse e cansaço, e procure reduzir esses fatores no cotidiano.

E lembre-se: incentive a criança ou adolescente a falar sobre seus sentimentos e dificuldades, para que ela não se sinta sozinha.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Cuidadores não precisam se sentir envergonhados ou culpados caso seu(sua) filho(a) apresente esses comportamentos.

Saiba que essas dificuldades podem acontecer com qualquer pessoa, e que existem maneiras de lidar com elas.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Guias de Bolso

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Onde encontrar
mais informações

Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.

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