Fazer coisas repetidamente, como checar portas, organizar objetos ou limpar

Algumas pessoas têm o costume de fazer certas coisas várias vezes. Isso pode acontecer de forma consciente ou sem perceber.

Por exemplo, checar várias vezes se a porta está trancada, organizar os objetos de um jeito específico ou repetir movimentos como piscar os olhos, tocar em algo ou mexer os dedos.

Às vezes, isso vira um tipo de ritual ou mania, feito sempre da mesma forma. Pode parecer estranho para os outros, mas para quem faz, pode trazer alívio ou uma sensação de segurança.

Além disso, para algumas pessoas, esses movimentos repetidos ou rituais acontecem só de vez em quando, mas para outras eles aparecem com muita frequência e podem atrapalhar no dia a dia, na escola, nas amizades ou até em casa, por isso, é importante entender melhor sobre isso.

O que é esperado?

É comum ter rotinas no dia a dia, elas ajudam a deixar tudo mais organizado e previsível.

Algumas pessoas gostam de sempre escovar os dentes antes de dormir, fazer a lição no mesmo lugar da casa ou se sentar sempre no mesmo canto da sala. Isso ajuda a manter o foco e o conforto.

Alguns exemplos de comportamentos repetitivos que são esperados:

  • Repetir brincadeiras ou falas que fazem rir
  • Ter um jeito específico de se aquecer antes de uma atividade física
  • Organizar o material escolar sempre da mesma forma
  • Ter pequenas manias, como sempre usar o mesmo copo ou caneta preferida
  • Usar uma mesma roupa em ocasiões especiais, ou ter preferência por um acessório.

Essas coisas fazem parte do jeito de cada um de ser, e não são um problema quando não atrapalham a vida, os estudos ou as amizades.

Quando devo me preocupar?

Todo mundo tem manias ou hábitos que faz sem pensar, certo?

Mas vale prestar atenção quando esses comportamentos começam a acontecer o tempo todo, ocupam muito do seu dia ou causam estresse.

Também é importante reparar se estão atrapalhando a escola, o sono ou a convivência com outras pessoas.

Aqui vão alguns exemplos:

Coisas que o corpo faz sem parar e que podem atrapalhar:

  • Ficar piscando demais, pigarreando ou fazendo barulhos repetitivos
  • Mexer muito os ombros, a boca ou outras partes do corpo, mesmo sem perceber
  • Cheirar objetos ou tocar nas coisas várias vezes, sem um motivo claro

Manias ou rituais que merecem atenção:

  • Lavar as mãos, o corpo ou objetos muitas vezes seguidas
  • Evitar encostar em coisas, pessoas ou lugares por medo de se contaminar ou fazer algo “errado”
  • Checar várias vezes se trancou a porta, se algo está certo ou se não causou nenhum problema
  • Repetir frases ou ações até “sentir que ficou certo”
  • Rezar ou repetir palavras pra tentar evitar algo ruim
  • Ficar pensando na mesma coisa várias vezes para garantir que não fez nada errado
  • Pedir o tempo todo pra alguém confirmar que está tudo bem
  • Evitar lugares ou situações por medo do que pode acontecer
  • Sentir que precisa fazer essas coisas pra conseguir se acalmar, mesmo que não queira
  • Tentar parar e não conseguir, chegando a sentir angústia, medo ou o coração acelerado.
  • Perceber que está gastando muito tempo com isso e que isso está atrapalhando sua rotina.

Se você estiver se sentindo assim ou se estiver observando esses sinais em algum(a) amigo(a), saiba que existem formas de lidar com esses comportamentos sem gerar sofrimento.

Não tenha dúvidas de que com apoio, esse processo pode ser menos difícil.

O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?

Repetir ações muitas vezes pode ser algo difícil de lidar, especialmente quando isso começa a causar incômodo ou atrapalhar a rotina.

Algumas atitudes podem fazer diferença tanto para quem está passando por isso quanto para quem está por perto querendo ajudar.

Saiba como:

  • Conversar com alguém de confiança pode ser um bom começo. Pode ser um responsável, familiar, professor(a) ou outro adulto que escute sem julgar. Falar sobre o que está acontecendo pode aliviar e ajudar a pensar em caminhos possíveis.
  • Observar o que está acontecendo também pode ajudar. Prestar atenção em quando os comportamentos aparecem (se são mais frequentes em casa, na escola ou em outro ambiente) e como a pessoa se sente antes e depois, pode trazer pistas sobre o que está por trás das repetições.
  • Buscar outras formas de se acalmar ou mudar o foco pode fazer diferença. Coisas simples como respirar fundo, ouvir música, desenhar, escrever ou dar uma caminhada são formas de aliviar a tensão e sair do automático.
  • Oferecer apoio com respeito é essencial. Quando alguém próximo repete comportamentos com frequência ou se sente incomodado(a) com isso, o mais importante é escutar com cuidado, sem brincar ou criticar. Estar por perto, mostrar que se importa e sugerir procurar ajuda são formas valiosas de apoiar.
  • Respeitar o tempo de cada um também é importante. Mudanças podem levar tempo, e tudo bem. Começar com pequenos passos, celebrar cada avanço e manter o apoio ao longo do caminho faz diferença, tanto para quem vive isso quanto para quem acompanha.

Lidar com esses comportamentos pode ser difícil e, por vezes, causar vergonha, mas saiba que você pode buscar ajuda, seja tendo alguém de confiança para conversar sobre isso, ou com um apoio profissional, ou com os dois.

O objetivo não é eliminar totalmente a repetição, mas encontrar formas mais saudáveis e positivas de lidar com ela, sem gerar mal estar ou sofrimento, certo?

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Se estiver lidando com esses comportamentos, não se sinta envergonhado(a) ou culpado(a). Existe ajuda disponível, e você pode ter acesso ao suporte que precisa.

Você também pode dividir sua dificuldade com um profissional da sua escola, ou um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Esse profissional vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental.

No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
  • Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Pedir ajuda não é fraqueza — é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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