Dificuldades visuais e espaciais

Algumas pessoas têm mais dificuldade para entender e organizar informações que chegam pelos olhos, mesmo que a visão seja boa.

Isso significa que o cérebro pode ter mais trabalho para entender onde as coisas estão, como se relacionam no espaço e como reproduzi-las no papel.

Por exemplo: pode ser complicado copiar algo do quadro para o caderno, entender um mapa, ler um gráfico ou organizar uma página de anotações.

Às vezes, até jogos ou esportes que exigem noção de espaço ficam mais difíceis.

Geralmente, quem tem esse tipo de dificuldade se dá bem com memorização e uso de palavras, mas encontra mais desafios quando precisa entender imagens, espaços ou direções.

Se esse for o seu caso ou se algum(a) amigo(a) estiver com essas dificuldades, aqui neste guia você pode ter mais informações.

Isso não significa que você ou seu(sua) amigo(a) seja menos inteligente ou esforçado, é apenas uma forma diferente de processar informações.

O que é esperado?

A habilidade de entender informações visuais e espaciais vai se desenvolvendo com o tempo. Veja o que costuma acontecer em cada fase do desenvolvimento:

  • Até os 3 anos: Você começa a reconhecer formas e consegue montar quebra-cabeças simples.
  • Entre 4 e 5 anos: Você já consegue desenhar formas básicas e entender como os objetos se relacionam no espaço.
  • Até os 6 anos: Consegue copiar desenhos mais complexos e seguir mapas ou direções simples.
  • Entre 7 e 8 anos: Consegue montar blocos e entender diagramas simples.
  • Até os 9 anos: Consegue usar mapas e organizar espaços, como arrumar os móveis de um quarto.
  • Entre 10 e 12 anos: Consegue imaginar como as coisas ficam quando mudam de lugar ou giram.
  • Até os 13 ou 14 anos: Consegue entender e usar informações visuais mais complexas, como gráficos e tabelas, se localizar na escola, copiar textos e diagramas sem muita dificuldade, e organizar o próprio material.

Esses marcos são comuns, mas cada pessoa tem seu próprio ritmo. Saber disso pode ajudar a perceber se você ou algum(a) amigo(a) está precisando de um apoio extra.

Quando devo me preocupar?

Alguns sinais podem mostrar que suas dificuldades com espaço e visão vão além do esperado:

  • Quebra-cabeças ou blocos: montar ou construir é tão difícil que chega a dar estresse ou frustração.
  • Desenhar ou copiar da lousa: fazer formas simples ou copiar o que está escrito parece quase impossível.
  • Organização do dia a dia: arrumar o quarto, preparar a mochila ou manter os materiais em ordem vira um desafio.
  • Imaginar coisas em movimento: é complicado pensar como um objeto mudaria de lugar ou de forma.
  • Esquecer objetos e caminhos: não lembrar onde deixou algo ou até se perder em lugares já conhecidos.
  • Mapas e gráficos: entender imagens, mapas ou tabelas é bem mais difícil que para os colegas.
  • Coordenação motora: tropeçar, esbarrar nas coisas ou ter dificuldade em esportes que exigem noção de espaço.

Se você se reconhece em vários desses pontos, e se essas dificuldades atrapalham o dia a dia, as notas, o tempo para fazer trabalhos ou até a vontade de participar das aulas, pode ser hora de pedir ajuda. Quanto antes você tiver apoio, mais fácil será encontrar estratégias que funcionem para você.

Mas olha, nada disso é um problema sem solução, certo? É natural que tenhamos dificuldades com algumas coisas. O que importa é que você consiga encontrar a melhor forma de aprender, e que esse processo seja divertido para você!

O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?

Mesmo com essas dificuldades, há muitas coisas que você, ou seu(sua) amigo(a), pode fazer para facilitar o dia a dia:

  1. Use recursos visuais: Como imagens, diagramas e mapas, para entender melhor as informações.
  2. Pratique habilidades espaciais: Monte quebra-cabeças, desenhe, brinque com blocos de montar.
  3. Divida as tarefas: Separe as atividades em etapas menores, para ficar mais fácil de entender e fazer.
  4. Peça instruções claras: Não tenha medo de pedir explicações simples e objetivas. Sua mãe, pai, irmão mais velho, avó ou professor(a), podem te ajudar. Use também gestos ou desenhos se isso facilitar na compreensão.
  5. Organize seu espaço: Use etiquetas, cores e compartimentos para manter tudo no lugar.
  6. Jogue jogos de memória: Jogos que envolvem lembrar posições ou padrões podem ajudar bastante. Por exemplo: busque jogos de memória de temas que você gosta! Pode ser divertido!
  7. Seja paciente com você mesmo: Valorize suas conquistas e entenda que pedir ajuda é um sinal de força, não de fraqueza.

Essas estratégias podem te ajudar a se sentir mais confiante e preparado(a). E lembre-se: não tem problema pedir mais tempo para realizar uma atividade se isso ajudar você.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Você pode se sentir tímido(a) ou com vergonha sobre a ideia de buscar ajuda profissional, mas saiba que essa é uma das melhores formas de você superar essas dificuldades. Lembre-se que profissionais estão ali para nos ajudar!

Você pode conversar com seus responsáveis, seu(sua) professor(a), seu médico de família ou algum adulto de confiança. Eles podem te encaminhar para especialistas que entendem bem do assunto.

No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
  • Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.

Lembre-se: compartilhar como você se sente pode fazer toda diferença!

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