Dificuldades de interagir, entender e conversar com as pessoas

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

A comunicação social é a forma como falamos, compreendemos e interagimos com os outros.

Isso envolve usar as palavras certas, mudar a forma como falamos dependendo de com quem estamos conversando, seguir regras de conversação e entender a linguagem corporal, como expressões faciais e contato visual.

À medida que crescem, as crianças têm muitas oportunidades de aprender essas habilidades. Elas conversam com outras crianças e adultos, e observam como os outros interagem.

Assim como aprender a andar ou falar, espera-se que as crianças atinjam marcos da comunicação social em idades diferentes.

Algumas crianças têm uma forma diferente de perceber e se conectar com o mundo e com as pessoas. Isso pode parecer como uma dificuldade para manter conversas, entender expressões faciais, gestos ou regras sociais.

O que é esperado?

Cada criança é única, mas elas desenvolvem habilidades sociais ao longo do tempo.

Veja o que geralmente se espera em cada idade:

  • Por volta dos 6 meses: A criança sorri de volta para as pessoas, tenta fazer contato visual com os cuidadores, gosta de brincar com eles, imita alguns movimentos ou expressões faciais, responde ao seu nome e reconhece pessoas familiares.
  • Por volta de 1 ano: A criança gosta de brincadeiras sociais simples como “cadê-o-bebê? Achou!”, segue instruções simples, faz barulho para chamar a atenção das pessoas e imita sons e gestos.
  • Por volta de 2 anos: A criança imita outras pessoas, mostra interesse por pessoas além dos cuidadores, brinca ao lado, mas não necessariamente com outras crianças (brincadeira paralela), segue instruções e aponta coisas enquanto olha para os cuidadores para ver se eles percebem (atenção conjunta).
  • Por volta de 3 anos: A criança quer brincar com os outros, consegue esperar sua vez em jogos, usa a imaginação para brincar (mas pode confundir o real com o faz de conta), entende algumas emoções, tem conversas (mas pode mudar de assunto rapidamente), segue instruções mais complexas e compartilha brinquedos.
  • Por volta de 4 anos: A criança tem interesse por novas experiências, coopera com outras crianças e faz amizades.
  • Por volta de 5 anos: A criança quer agradar os amigos e se parecer com eles, segue regras com mais facilidade, canta, dança, faz encenações, demonstra mais independência e consegue distinguir fantasia de realidade.

A partir dos 6 anos, as crianças aprimoram o uso das palavras e das conversas complexas. Passam a valorizar mais as amizades e aprendem a compartilhar e cooperar melhor.

Algumas crianças demoram mais em certas áreas, mas quando há uma diferença significativa ou persistente na forma como a criança se comunica, se comporta ou se relaciona, é importante prestar atenção.

Quando devo me preocupar?

Cada criança cresce e aprende em seu ritmo, mas há sinais que podem indicar dificuldades na comunicação social.

Esses sinais variam de acordo com a idade e o ambiente da criança.

Interações sociais:

  • Brincar com os outros: A criança pode não se interessar por brincar com outras crianças ou preferir brincar sozinha, mesmo na presença de outras.
  • Evitar interações sociais: A criança pode evitar contato com colegas e adultos.
  • Comportamento social passivo: A criança observa os outros, mas não participa das atividades.
  • Brincadeira de faz de conta: A criança pode ter dificuldades com brincadeiras imaginárias .
  • Comportamento social: A criança pode ser extremamente tímida ou muito agressiva.
  • Regras sociais: A criança pode ter dificuldade para seguir regras de brincadeiras ou normas sociais.

Comunicação:

  • Resposta às pessoas: A criança pode não responder às pessoas ou responder de forma negativa.
  • Fala: A criança pode se recusar a falar ou dar apenas respostas muito curtas.
  • Contato visual e gestos: A criança pode ter dificuldades em usar contato visual, expressões faciais e gestos.
  • Compreensão de emoções: A criança pode ter dificuldade em reconhecer emoções dos outros ou saber como reagir.
  • Linguagem corporal: A criança pode não entender expressões faciais ou movimentos corporais durante a fala.
  • Proximidade ao interagir: A criança pode não saber qual a distância adequada para ficar das pessoas.
  • Comunicação indireta: A criança pode não entender o que os outros querem dizer quando não é dito de forma direta.
  • Iniciar conversas: A criança pode ter dificuldade para começar ou manter uma conversa.

Relacionamentos:

  • Interesse pelos cuidadores: A criança pode não demonstrar interesse em passar tempo com os cuidadores.
  • Interesse pelos colegas: A criança pode não querer brincar com outras crianças ou evitá-las.
  • Amizades: A criança pode ter dificuldade para fazer amigos próximos ou não ter um grupo de amigos.
  • Conversas: A criança pode só falar sobre seus próprios interesses ou ter dificuldade para manter o tema da conversa.

Esses comportamentos, se e quando persistentes, não devem ser ignorados. Quanto mais cedo forem observados esses sinais, maiores as chances de ajudar a criança a se desenvolver com mais qualidade de vida e bem-estar.

O que posso fazer para ajudar?

Como cuidador(a), é importante ser paciente e oferecer apoio à criança com dificuldades na comunicação social.

Veja algumas ações que você pode tentar:

  1. Observe com atenção. Preste atenção em como a criança se comunica e interage com os outros. Isso ajuda a identificar os pontos fortes e as áreas que precisam de apoio.
  2. Identifique dificuldades. Perceba se a criança tem dificuldade com coisas como contato visual ou esperar sua vez. Isso ajuda a focar nas habilidades que precisam ser trabalhadas.
  3. Reforce comportamentos positivos. Ensine e mostre comportamentos como esperar a vez ou compartilhar. Pratique isso durante as brincadeiras ou nas atividades em família.
  4. Ajude a criança a desenvolver habilidades. Use dramatizações (role-playing) e marque encontros supervisionados para que ela possa praticar habilidades sociais em um ambiente seguro.
  5. Modele bons comportamentos sociais. Demonstre bons hábitos sociais para que a criança aprenda observando você. Seja um modelo ao conversar e escutar os outros.
  6. Converse com o(a) professor(a) da criança. Os professores podem ajudar a entender como a criança interage na escola e sugerir atividades úteis.
  7. Use histórias sociais. Crie histórias simples que ensinem como lidar com situações sociais. Ler essas histórias com a criança pode ajudá-la a compreender e praticar sinais sociais.

Você enquanto cuidador(a) não está sozinho(a) nessa jornada. E conhecer melhor a sua criança é o melhor caminho para ajudá-la a crescer e se desenvolver.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Se as dificuldades com interação social e comunicação persistirem por mais de algumas semanas, considere procurar uma avaliação profissional ou entrar em contato com a escola da criança.

A intervenção precoce pode ser muito benéfica para o desenvolvimento das habilidades sociais e da autoestima.

Existem vários profissionais nas escolas que podem ajudar, como os(as) professores(as), e em alguns casos, psicólogos(as) escolares e fonoaudiólogos(as).

Se você estiver preocupado com as habilidades sociais da criança, também pode conversar com o pediatra ou médico(a) da família.

É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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