Dificuldades com sons da fala
Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.
As dificuldades com os sons da fala ocorrem quando as crianças têm dificuldade para produzir os sons necessários para uma fala clara. Essas dificuldades podem incluir problemas para controlar a voz, produzir sons específicos ou falar com clareza.
A criança também pode apresentar gagueira ou “língua presa”. Como resultado, pode ser difícil para outras pessoas entenderem o que ela está tentando dizer.
Essas dificuldades são diferentes dos problemas de linguagem, que envolvem problemas de compreensão e uso da linguagem.
Esses desafios não indicam problemas intelectuais, emocionais ou de comportamento, mas sim uma alteração no desenvolvimento dos sons da fala.
O que é esperado?
O desenvolvimento dos sons da fala é um processo gradual que ocorre conforme a criança cresce. A maioria das crianças começa a produzir sons e palavras em idades aproximadas. Veja abaixo alguns marcos típicos do desenvolvimento da fala:
- Até 1 ano: Os bebês geralmente começam a balbuciar e a dizer palavras simples como “mamãe” ou “papai”.
- Até 2 anos: A criança começa a formar frases de duas palavras e consegue dizer cerca de 50 palavras.
- Até 3 anos: A maioria das crianças consegue falar com mais clareza e formar frases simples.
- Até 4 anos: A criança geralmente já é compreendida por pessoas fora da família e usa frases mais longas.
- Até 5 anos: A criança consegue produzir a maioria dos sons corretamente e usar frases mais complexas.
- Até 6-7 anos: Ela aperfeiçoa os sons da fala e consegue contar histórias com clareza.
- Até 8-9 anos: Consegue usar todos os sons da fala corretamente em uma conversa.
Compreender esses marcos pode ajudar os cuidadores a saber o que esperar à medida que a criança aprende a falar.
Quando devo me preocupar?
É comum que crianças pequenas tenham uma fala pouco clara, mas há sinais que podem indicar dificuldades com os sons da fala.
Se a fala da criança não melhorar com o tempo, isso pode ser um motivo de atenção.
Alguns sinais incluem dificuldade para mover a mandíbula, a língua e os lábios, dificuldade para produzir sons específicos e fala menos clara do que outras crianças da mesma idade.
A criança também pode mudar repentinamente o tom ou volume da voz, ter uma voz rouca ou anasalada, ou perder o fôlego enquanto fala.
Ceceio (língua presa), gagueira ou dificuldade em tarefas com os músculos do rosto, como mastigar, também podem ser sinais.
Se essas dificuldades persistirem, pode ser hora de procurar ajuda. Quanto mais cedo essas limitações forem percebidas, maior a chance de uma intervenção mais eficaz.
O que posso fazer para ajudar?
Como cuidador(a), você pode ter um papel importante no apoio à criança com dificuldades com os sons da fala.
É importante acolher a criança com paciência e sem correções muito bruscas. Esse processo precisa ser estimulante para ela, e você pode ajudar.
Aqui estão algumas estratégias específicas que podem auxiliar:
- Converse com a criança com frequência. Envolva-se em conversas para incentivar a prática da fala. Faça perguntas abertas que estimulem respostas mais longas.
- Leia histórias com a criança. Escolha livros com frases e sons repetitivos. Incentive a criança a repetir depois de você.
- Repita as palavras e destaque os sons corretos. Quando a criança disser uma palavra incorretamente, repita de forma gentil e estimule-a a tentar novamente.
- Brinque com os sons. Use jogos que envolvam escutar e repetir sons, como rimas ou trava-línguas.
- Crie um ambiente acolhedor. Incentive a criança a falar sem medo de errar. Elogie os esforços e os avanços.
- Reduza ruídos de fundo. Garanta um ambiente tranquilo durante as conversas, para ajudar a criança a se concentrar nos sons.
- Seja um bom modelo. Fale devagar e com clareza para dar um bom exemplo à criança.
Essas estratégias podem ajudar sua criança a melhorar a fala de forma leve e divertida.
O mais importante é criar um espaço em que ela se sinta segura para se expressar, mesmo que ainda cometa erros. Esse é um processo!
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Se as dificuldades com os sons da fala durarem mais de algumas semanas, peça uma avaliação profissional ou procure apoio na escola da criança. Buscar ajuda precocemente é importante para a fala e a autoestima da criança.
Comece conversando com o(a) pediatra ou médico(a) de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista, como um(a) fonoaudiólogo(a), ou um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
Onde encontrar
mais informações
Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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