Dificuldades com sons da fala
Algumas pessoas acham difícil pronunciar certos sons quando falam. Isso não quer dizer que elas não sabem o que querem dizer, mas sim que têm dificuldade para formar os sons com clareza.
Às vezes, trocam uma letra por outra (tipo falar “caco” em vez de “carro”) ou falam de um jeito que outras pessoas acham difícil de entender. Isso pode causar vergonha, zoação ou fazer com que a pessoa prefira ficar quieta.
As dificuldades com sons da fala acontecem quando você ou outra pessoa (amigo, irmão, primo) têm dificuldade para produzir os sons necessários para uma fala clara. Isso pode incluir problemas para controlar a voz, fazer certos sons ou falar com clareza.
Você também pode apresentar gagueira ou “língua presa”, o que pode dificultar que outras pessoas te entendam.
Essas dificuldades são diferentes das dificuldades de comunicação, que envolvem problemas para entender e usar a linguagem. São questões diferentes, beleza?
Se você tem dificuldades com os sons da fala, isso não significa que tem dificuldade para entender o que é dito. O desafio da fala está especificamente em produzir os sons corretamente, e não na compreensão da linguagem.
O que é esperado?
Quando a gente é pequeno, é natural errar ao falar. Mas, com o tempo, o cérebro vai aprendendo a falar cada som direitinho. A maioria das crianças começa a produzir sons e a falar palavras em idades específicas.
Veja alguns marcos comuns desse desenvolvimento:
- Por volta de 1 ano: Os bebês geralmente começam a balbuciar e dizer palavras simples como “mamãe” ou “papai”.
- Por volta de 2 anos: A maioria das crianças começa a usar frases com duas palavras e falar cerca de 50 palavras.
- Por volta de 3 anos: A maioria das crianças já fala de forma mais clara e consegue formar frases simples.
- Por volta de 4 anos: Outras pessoas fora da família geralmente conseguem entender, e as frases já são mais longas.
- Por volta de 5 anos: As crianças conseguem falar a maioria dos sons corretamente e usar frases mais complexas.
- Por volta de 6 a 7 anos: Há um refinamento dos sons da fala e as crianças já conseguem contar histórias com clareza.
- Por volta de 8 a 9 anos: Já é possível usar todos os sons corretamente em uma conversa.
Entender esses marcos ajuda a perceber o que é comum no desenvolvimento da fala entre você e seus amigos.
Se você ainda sente que sua fala é diferente, ou se as pessoas vivem pedindo para você repetir o que disse, isso pode ser sinal de que algo precisa de atenção.
Lembre-se que você não tem culpa disso, e que o importante é que você possa ser compreendido quando falar, certo?
Quando devo me preocupar?
Você pode se preocupar se sente vergonha de falar por causa da sua pronúncia e isso não tem a ver com sotaque ou com a forma que você aprendeu a falar.
Além disso, você deve se preocupar se houver:
- Dificuldade para mover a mandíbula, a língua ou os lábios;
- Problemas para produzir sons específicos;
- Fala menos clara em comparação com colegas da mesma idade;
- Mudanças bruscas de tom ou volume;
- Voz rouca ou excessivamente nasal;
- Ficar sem ar durante a fala;
- Presença de ceceio (língua presa), gagueira ou dificuldades com movimentos faciais como mastigar.
Isso não tem nada a ver com inteligência, certo? É só uma forma diferente que seu cérebro encontrou de funcionar. Mas pode melhorar, e você não precisa lidar com isso sozinho(a).
O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?
Se você percebe dificuldades na sua fala ou na de um(a) amigo(a), há algumas coisas que podem ajudar a melhorar:
- Pratique falar com frequência. Converse com amigos e familiares para treinar os sons da fala.
- Leia em voz alta. Escolha livros com frases repetitivas e sons marcantes. Praticar a leitura em voz alta pode melhorar a clareza. Cantar e recitar poesias também podem ser ótimos exercícios!
- Repita as palavras e foque nos sons corretos. Quando pronunciar uma palavra de forma errada, tente repeti-la corretamente.
- Brinque com jogos de som. Use jogos que envolvem escutar e repetir sons, como rimas ou trava-línguas.
- Crie um ambiente de apoio. Incentive a si mesmo e aos amigos a falar sem medo de errar. Comemore os progressos!
- Evite distrações. Encontre um lugar silencioso para praticar, facilitando a concentração nos sons.
- Ouça pessoas com fala clara. Preste atenção em como os outros falam e tente imitar os padrões de fala clara. Você pode assistir aulas, palestras e workshops de assuntos que te interessam, e a partir disso, buscar desenvolver a fala.
Lembre-se: esse processo não precisa ser difícil ou solitário. Essas estratégias podem ajudar você e/ou seus amigos a melhorar a fala de forma divertida e acolhedora.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Se suas dificuldades com os sons da fala durarem mais do que algumas semanas, peça ajuda para um adulto de confiança. Quanto mais cedo você receber ajuda, melhor será para sua fala e autoestima.
Você pode dividir sua dificuldade com um profissional da sua escola, ou um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.
Esse profissional vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) especialista, como um(a) fonoaudiólogo(a), que é o(a) profissional que ajuda com essas questões da fala, ou até mesmo um(a) psicólogo(a) se a sua dificuldade lhe traz sofrimento emocional.
Não precisa ter medo, beleza? Ninguém vai te julgar, acredite. O foco é só te ajudar a se sentir mais confiante e se comunicar melhor.
Além disso, lembre-se que procurar ajuda não é sinal de fraqueza. É um passo importante para o seu desenvolvimento. Você não precisa passar por isso sozinho(a)!
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mental de crianças e adolescentes.
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