Dificuldades com matemática
Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.
Muitas crianças acham matemática difícil e muitos adultos se lembram das suas próprias dificuldades com essa matéria na escola. Frequentemente, as crianças pensam: “Isso é chato” ou “Nunca vou usar isso.” E para algumas, a matemática simplesmente não “faz sentido”.
Crianças pequenas que têm dificuldade com matemática podem demorar para reconhecer números, identificar padrões ou aprender a contar.
À medida que crescem, podem ter dificuldades com adição, subtração e, mais tarde, com álgebra. Fora da escola, essas crianças também podem ter dificuldade para memorizar números como telefones ou placares de jogos. Podem se atrapalhar para ler relógios, contar dinheiro ou até estimar distâncias ou o tempo necessário para tarefas.
Essas dificuldades podem aparecer desde cedo, ainda na educação infantil, e se tornam mais visíveis nos primeiros anos do ensino fundamental. Quando não identificadas e compreendidas, podem gerar frustração, medo de errar, baixa autoestima e até recusa escolar.
É importante lembrar: cada criança tem seu tempo. Mas quando o tempo passa, a escola apoia e, mesmo assim, a dificuldade permanece forte, é hora de olhar com mais atenção.
O que é esperado?
Aprender matemática é uma habilidade que se desenvolve com o tempo.
Veja o que costuma ser esperado em cada faixa etária:
- Entre 5 e 6 anos: A criança consegue contar até 20 (para frente e para trás), associar números e quantidades entre 1 e 10, comparar duas quantidades e entender conceitos simples como grande/pequeno e antes/depois.
- Por volta dos 7 anos: A maioria das crianças consegue contar até 100 e começa a entender adição e subtração.
- Por volta dos 9 anos: As crianças começam a compreender multiplicação e divisão.
- Por volta dos 10 anos: A criança aprende conceitos mais avançados como frações, decimais, variáveis e noções básicas de geometria.
Não há problema se a criança errar de vez em quando ou precisar de mais tempo em alguns conteúdos. Isso é parte do processo. O esperado é que, com apoio da escola e das famílias, ela consiga aprender aos poucos.
O importante é observar se há avanço ao longo do tempo. Mesmo que a criança demore, ela deve conseguir aprender com repetição, explicações diferentes e uso de materiais concretos (como blocos, jogos, objetos do cotidiano).
Se, mesmo com esses recursos, a criança continua tendo muita dificuldade em comparar quantidades, contar corretamente ou entender uma operação simples, isso pode ir além do que seria esperado.
Quando devo me preocupar?
Existem alguns sinais que indicam dificuldades com a matemática. Esses sinais variam conforme a idade da criança.
Em crianças menores, de 3 a 6 anos:
- Reconhecimento de números: A criança tem dificuldade para reconhecer os números.
- Aprender a contar: Há atraso na aprendizagem da contagem.
- Relacionar números e palavras: A criança tem dificuldade para associar o número (como “5”) à palavra (“cinco”).
- Comparar números: A criança não consegue identificar qual número é maior e qual é menor entre dois números.
- Identificar padrões: Dificuldade para reconhecer padrões ou ordenar objetos do menor para o maior.
- Adição simples: Dificuldade em fazer contas simples sem usar os dedos.
Em crianças mais velhas, entre 6 e 12 anos:
- Operações básicas: Dificuldade com operações básicas de matemática como adição e subtração.
- Problemas de matemática escritos: A criança não compreende enunciados de problemas matemáticos escritos.
- Estimar tempo: Dificuldade em estimar quanto tempo levará para realizar uma tarefa.
- Lição de casa e provas: A criança tem dificuldades constantes com tarefas e avaliações de matemática.
- Acompanhar a turma: A criança não consegue acompanhar os colegas nas aulas de matemática.
- Conceitos visuais: Dificuldade com gráficos, tabelas e conceitos visuais relacionados à matemática.
Fora da escola:
- Memorizar números: A criança esquece números comuns como telefone ou placar de jogo.
- Contar dinheiro: Dificuldade para contar dinheiro ou estimar preços.
- Ler relógios: A criança não consegue ler o relógio ou dizer as horas corretamente.
- Medir distâncias: Dificuldade em julgar distâncias ou medidas.
- Memorizar direções: Problemas para lembrar instruções ou caminhos.
- Pontuar em jogos: Dificuldade para manter a contagem em jogos.
- Frustração com tarefas matemáticas: A criança se frustra ou se irrita quando não consegue resolver um problema matemático.
Além de observar a presença de sinais, também é fundamental perceber se essa dificuldade está atrapalhando o bem-estar, a autoestima e o desenvolvimento escolar da criança.
O que posso fazer para ajudar?
O primeiro passo é ter paciência e acolher a criança. Demonstre que você, enquanto cuidador(a), está ao lado dela, mesmo que a matemática seja difícil.
Aqui estão algumas dicas:
- Converse com o(a) professor(a) da criança: Eles geralmente conhecem as habilidades esperadas para cada idade, por isso podem ajudar a entender a dificuldade e orientar o que fazer em casa.
- Use a matemática do dia a dia: Envolva a criança em atividades como cozinhar ou fazer compras para praticar contagem, medidas e adição. Isso torna a matemática mais concreta e divertida.
- Brinque com jogos de matemática: Use jogos de tabuleiro ou aplicativos que envolvam números e resolução de problemas. Eles ajudam a desenvolver habilidades de forma leve.
- Pratique os fatos matemáticos: Use flashcards ou apps para ajudar a criança a memorizar operações básicas como adição e multiplicação.
- Crie um ambiente favorável à matemática: Disponibilize régua, calculadora, papel quadriculado e outros materiais que possam ser usados durante a lição ou em brincadeiras.
- Tenha um horário fixo para matemática: Reserve um momento diário para a prática de matemática. A regularidade ajuda no aprendizado.
- Divida as tarefas: Ajude a criança a resolver problemas em etapas menores e mais simples. Isso reduz a frustração e aumenta a confiança.
- Elogie o esforço, não só o resultado: Valorize o empenho da criança. Isso fortalece uma atitude positiva diante do aprendizado.
Se a criança errar, evite broncas. Pergunte como ela pensou, peça que mostre seu raciocínio. Muitas vezes, ela está tentando acertar, mas precisa de mais tempo, apoio e paciência.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Alguns cuidadores se preocupam com as dificuldades da criança em matemática. Outros esperam que a dificuldade passe sozinha. Mas buscar ajuda pode ser essencial.
Além dos professores e dependendo da escola, podem existir profissionais especializados, como professores de educação especial e especialistas em aprendizagem, que podem oferecer apoio eficaz, especialmente para estudantes que aprendem de forma diferente.
Se as dificuldades persistirem por mais de algumas semanas, é recomendável procurar uma avaliação profissional ou entrar em contato com a escola da criança. Intervenções precoces ajudam no desenvolvimento das habilidades matemáticas e na autoconfiança. Também converse com o(a) pediatra ou médico de família da criança. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-la para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.
Além disso, é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
O mais importante é não deixar a criança sozinha nesse processo. Com o suporte certo, ela pode aprender, recuperar a autoconfiança e desenvolver formas próprias de entender o mundo dos números.
Onde encontrar
mais informações
Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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