Dificuldades com leitura

Ler é uma habilidade complexa, mesmo que pareça fácil para a maioria dos adultos. Muitas crianças aprendem a ler com facilidade, mas algumas enfrentam mais dificuldades. É aqui que os educadores fazem a diferença: saber identificar os(as) alunos(as) que apresentam mais dificuldades do que outros(as).

Esses estudantes exigem mais atenção pois têm dificuldade em reconhecer e trabalhar com os sons da linguagem, e isso dificulta a separação das palavras em sons e a leitura rápida. Esses obstáculos podem impactar no desempenho geral e autoestima.

Esses desafios não estão relacionados à inteligência, falta de esforço, ensino de baixa qualidade ou a problemas de visão ou audição. Em vez disso, podem estar ligados a diferenças na forma como o cérebro processa a linguagem. Alunos(as) com dificuldades de leitura podem precisar de apoio extra e/ou métodos de ensino especializados.

O que é esperado?

Se a leitura é uma habilidade que se desenvolve com o tempo, então ela deve apresentar uma progressão contínua. Para isso, espera-se que por volta de cada faixa etária, a criança apresente o aprimoramento dessas habilidades.

Veja abaixo o que costuma ser esperado em diferentes idades:

  • Por volta dos 3 anos: A criança geralmente consegue recitar o alfabeto e cantar músicas com o alfabeto.
  • Entre 3 e 4 anos: Começa a reconhecer letras.
  • Entre 4 e 5 anos: Começa a associar letras aos sons que elas representam.
  • Por volta dos 5 anos: Muitas crianças conseguem ler palavras que veem com frequência.
  • Entre 6 e 7 anos: Já conseguem ler histórias que conhecem bem.
  • Entre 7 e 8 anos: Começam a ler livros mais longos sozinhas.
  • Por volta dos 8 anos: Já conseguem entender bem o significado daquilo que leem.

Quando devo me preocupar?

Existem sinais que indicam que um(a) estudante pode estar enfrentando dificuldades de leitura. Eles variam de acordo com a idade.

Em crianças entre 6 e 7 anos:

  • Atraso na fala e no vocabulário: A criança aprende novas palavras mais devagar do que o esperado e demora a usá-las no dia a dia.
  • Dificuldade com rimas: Tem dificuldade em brincar com rimas ou aprender cantigas.
  • Reconhecimento de letras e números: Dificuldade para reconhecer letras e números.
  • Alfabeto e sequências: Dificuldade para aprender o alfabeto, dias da semana, etc.
  • Seguir instruções: Dificuldade para seguir instruções simples.
  • Erros na fala: Troca sons, diz palavras de forma errada ou confunde palavras parecidas (por exemplo, trocar p/b, d/t, f/v).
  • Pouco interesse por livros: Não se interessa por livros ou por ouvir histórias.
  • Concentração baixa: Dificuldade para prestar atenção durante histórias.
  • Escrita e orientação na página: Dificuldades com escrita e com o uso correto da página.
  • Matemática básica: Dificuldade com conceitos matemáticos simples.

Em crianças entre 8 e 10 anos:

  • Leitura de palavras: Dificuldade para ler e decodificar palavras, até mesmo as mais comuns.
  • Ortografia: Comete muitos erros ao escrever palavras simples.
  • Compreensão de leitura: Dificuldade para entender ou lembrar o que leu.
  • Escrita: Escrita desorganizada, letra difícil de ler e dificuldade para tomar notas.
  • Leitura lenta: Lê devagar, pula palavras ou linhas.
  • Leitura em voz alta: Evita ler em voz alta e demonstra insegurança.
  • Fadiga ao ler: Cansa-se com facilidade e faz muito esforço ao ler.
  • Pontuação: Tem dificuldade para usar ou compreender sinais de pontuação.
  • Vocabulário: Vocabulário limitado e dificuldade com palavras novas.
  • Matemática: Dificuldades com conceitos e símbolos matemáticos.
  • Foco e gestão do tempo: Problemas para manter o foco e se organizar.
  • Questões emocionais: Apresenta sofrimento emocional relacionado à leitura.

Outras dificuldades podem incluir:

  • Placas e relógios: Dificuldade para entender placas, logotipos ou ler as horas.
  • Regras de jogos: Dificuldade para aprender ou lembrar regras de jogos simples e adequados para a faixa etária.
  • Instruções com vários passos: Dificuldade para seguir instruções mais longas.
  • Aprender novos idiomas: Dificuldade para aprender outras línguas.
  • Frustração com leitura: Fica irritado(a) ou ter crises emocionais ao ler.
  • Sequenciamento: Dificuldade para colocar eventos em ordem ou recontar histórias.
  • Procrastinação e ajuda: Adia as tarefas e precisa de muita ajuda com deveres.
  • Evitar leitura: Evita ler em voz alta ou participar de atividades com leitura.
  • Baixa autoestima: Autoestima afetada pelas dificuldades com a leitura.

Quando uma criança apresentar esses sinais, converse com a família e sugira avaliação psicopedagógica e/ou fonoaudiológica. Evite rótulos e lembre os cuidadores que essas dificuldades não são sinônimos de “preguiça” ou “falta de vontade” da criança.

O que posso fazer para ajudar?

Como educador(a), é essencial ter paciência e apoiar o(a) aluno(a) que enfrenta dificuldades. Aqui estão algumas sugestões práticas:

  • Use ensino baseado em fonética: Ensine a associação entre letras e sons. Atividades como juntar sons para formar palavras ajudam bastante. Leia junto, pausando para que a criança repita.
  • Ofereça prática regular de leitura: Deixe que os(as) alunos(as) escolham livros adequados ao nível deles e reserve tempo diário para leitura guiada ou silenciosa.
  • Use recursos visuais e organizadores gráficos: Diagramas e quadros ajudam os(as) alunos(as) a entender histórias e informações. Além disso, ofereça textos com tamanho de letra maior e com frases curtas.
  • Estimule a releitura: Ler o mesmo texto várias vezes ajuda na fluência, velocidade e entonação.
  • Ensine vocabulário: Apresente palavras novas antes da leitura com explicações simples e exemplos.
  • Promova leitura em duplas: Alunos(as) podem se ajudar ao ler em pares, o que estimula a cooperação.
  • Estabeleça metas de leitura: Ajude os(as) estudantes a traçar metas pequenas e comemoráveis. Isso aumenta a motivação.
  • Elogie cada avanço: Mesmo que pequeno, reconheça a melhora do desempenho da criança. Isso irá ajudar com a autoestima e a segurança.
  • Registre observações: Faça anotações sobre o desempenho e compartilhe com a equipe pedagógica e com a família.

Apoio em sala de aula

Ainda, converse com colegas e equipe escolar sobre a necessidade de possíveis acomodações para o(a) aluno(a). Acomodações que podem ajudar:

  • Permitir ao aluno(a) mais tempo para leitura e escrita.
  • Oferecer a possibilidade de responder algumas atividades de forma oral.
  • Utilizar textos adaptados, que possuam fontes maiores ou com frases curtas, ou com o uso cores para destacar partes importantes. Se disponíveis, o uso de audiolivros também pode ser útil.
  • Oferecer leituras em voz alta (você mesmo pode ler o texto, pedir que colegas leiam em dupla ou em grupo, ou usar recursos como audiolivros e aplicativos).
  • Dar instruções claras, em etapas curtas, e repetir quando necessário.
  • Garantir um espaço com menos distrações durante a leitura e escrita.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Educadores não são responsáveis pela busca de suporte profissional à criança, no entanto, é fundamental que professores saibam orientar os cuidadores sobre a quem pedir ajuda.

Entenda quem são os profissionais indicados:

  • Psicopedagogo(a): Irá auxiliar com as dificuldades de aprendizagem
  • Fonoaudiólogo(a): Dará suporte com consciência fonoaudiológica, dislexia
  • Neuropsicólogo(a): Responsável por realizar uma avaliação cognitiva

Além disso, é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência da família do(a) aluno(a), onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

A escola também pode propor rodas de conversa e oficinas sobre o tema com apoio de especialistas.

Quanto mais cedo for feito o encaminhamento, maiores são as chances do(a) estudante receber o cuidado necessário.

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