Dificuldades com leitura
Ler pode ser difícil, mesmo que pareça fácil para muitos adultos. A maioria das pessoas aprende a ler sem grandes problemas, mas algumas enfrentam dificuldades, e está tudo bem. Esses problemas geralmente começam quando você está aprendendo a ler, mas podem continuar conforme você cresce.
Pode ser difícil reconhecer sons na linguagem, separar as palavras em sons ou até identificar letras ou palavras. Isso não significa que você não seja inteligente ou que não esteja se esforçando na escola, certo? Mas significa que você pode precisar de um suporte maior.
A dificuldade com a leitura também não é causada por problemas físicos ou emocionais. Essas questões podem tornar a leitura mais difícil, mas não são a causa principal.
O que é esperado?
Aprender a ler não acontece de uma vez só. Você desenvolve suas habilidades de leitura aos poucos, ao longo dos anos. É um processo!
Cada coisa nova que você aprende ajuda a se preparar para o próximo passo. As habilidades comuns incluem dizer o alfabeto, reconhecer letras, ligar letras a sons, reconhecer palavras conhecidas e ler textos cada vez mais difíceis.
Por exemplo, entre 6 e 8 anos, espera-se que as crianças aprendam a juntar as letras e sílabas, formando frases e palavras. Entre 9 e 10 anos, começam a ler textos mais longos com compreensão.
Dos 13 aos 15 anos, espera-se que consigam ler textos maiores, um pouco mais complexos, de diferentes disciplinas e entender bem a maior parte do conteúdo.
Se você demora muito para ler, precisando repetir várias vezes para compreender, se cansa rápido ou evita ler em voz alta, isso pode ser sinal de uma dificuldade de leitura, que é apenas um jeito particular de processar as palavras (diferente de quando a demora acontece apenas porque você se distrai ou perde a concentração).
Cada pessoa tem seu ritmo, e o que importa é não se culpar e buscar estratégias que possam te ajudar!
Quando devo me preocupar?
Apesar de muitas pessoas terem dificuldades com a leitura em algum momento, existem alguns sinais que podem exigir maior atenção.
Se você não souber o que observar ou não lembrar como era na sua infância, peça ajuda a um adulto de confiança ou a um(a) professor(a). Esses são alguns dos sinais:
Quando você estava começando a ler:
- Falar mais tarde do que outras crianças: começar a falar depois dos seus colegas.
- Dificuldade com rimas: ter dificuldade de brincar com rimas ou lembrar de cantigas infantis.
- Seguir instruções: ter dificuldade para seguir instruções simples de adultos.
- Ler palavras curtas: ter dificuldade para ler palavras curtas, às vezes repetindo-as ou pulando-as.
- Confusão entre esquerda e direita: ter dificuldade para distinguir esquerda de direita.
Quando você já está na escola:
- Ler palavras: ter dificuldade para ler palavras e pronunciar palavras novas.
- Soletrar e escrever: ter dificuldade de soletrar palavras comuns, fazer anotações ou copiar do quadro.
- Compreensão de leitura: achar difícil entender a ideia principal ou os detalhes de uma história.
- Leitura lenta: ler mais devagar do que seus colegas.
- Evitar ler em voz alta: evitar ler em voz alta na sala de aula porque sente vergonha.
- Cansaço ao ler: ficar cansado rapidamente quando lê e precisar se esforçar muito.
Fora da escola:
- Entender sinais: ter dificuldade para entender logotipos e sinais.
- Aprender regras de jogos: ter dificuldade para aprender e lembrar as regras de jogos.
- Seguir instruções com vários passos: ter dificuldade de lembrar e seguir instruções com várias etapas.
- Ler relógios: ter dificuldade para ler as horas.
- Aprender novos idiomas: achar muito difícil aprender uma nova língua.
- Frustração com a leitura: ficar chateado(a) ao não conseguir ler algo e ter explosões emocionais.
- Contar eventos em sequência: ter dificuldade para contar uma história na ordem certa.
Lembre-se: mesmo que esses sinais sejam frequentes, eles não definem quem você é. Pedir ajuda é o primeiro passo para que essas habilidades possam ser melhor desenvolvidas, ok?
Conversar com algum familiar de confiança, professor(a) ou psicólogo(a) pode ser ótimo para saber como agir.
O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?
Lidar com dificuldades de leitura pode ser complicado e frustrante – a gente sabe. Mas aqui vão algumas ideias que podem ajudar, com o apoio de um adulto de confiança e de um(a) professor(a):
- Peça ajuda a um adulto de confiança: Fale com um(a) responsável, cuidador(a), professor(a) ou outro adulto em quem você confie sobre suas dificuldades. Eles podem te ajudar a buscar apoio.
- Busque ler textos que te interessem: Esportes, games, moda, música ou qualquer outro tema de interesse, irá fazer esse processo ser mais divertido e menos difícil!
- Pratique decodificar palavras: Treinar com cartões ou ler textos simples em voz alta pode melhorar sua habilidade!
- Use outras ferramentas: Audiolivros, digitação no computador ou aplicativos podem ajudar na leitura e decodificação.
- Divida as tarefas em partes menores: Isso torna as tarefas grandes menos assustadoras.
- Dê a si mesmo tempo e faça pausas: Atividades com leitura podem levar mais tempo, então planeje com calma e descanse um pouco entre uma parte e outra.
- Evite distrações: Desligue TV, jogos e celular para conseguir se concentrar melhor.
- Participe de atividades em que você é bom: Jogue em um time, toque música ou faça algo que goste. Fazer o que você gosta aumenta a confiança.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
É natural se sentir mal quando a leitura está difícil, mas saiba que existe ajuda! Se você estiver com dificuldade para ler por várias semanas, fale com um adulto de confiança ou com um(a) professor(a). Eles podem te ajudar a fazer uma avaliação com um profissional.
Além de professores, podem existir vários tipos de profissionais nas escolas que podem ajudar, como professores(as) de educação especial, especialistas em aprendizagem e fonoaudiólogos(as). Esses profissionais, principalmente os que têm experiência com estudantes que aprendem de um jeito diferente, podem oferecer um bom apoio. No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:
- Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
- Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Pedir ajuda não é fraqueza — é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor, beleza?
Onde encontrar
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Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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