Dificuldades com escrita

Este guia foi preparado especialmente para todas as pessoas que cuidam de crianças e adolescentes, e que se preocupam com a saúde mental deles. Se você é mãe, pai, avó, avô, tio, tia, madrinha, padrinho ou exerce qualquer papel de cuidado, aqui você encontrará informações acessíveis e úteis para apoiar quem está crescendo sob sua responsabilidade.

Escrever é uma habilidade complexa que envolve o uso da linguagem, da memória, da coordenação motora fina (movimentos pequenos e delicados) e da atenção. Ela envolve várias habilidades menores, como segurar o lápis, formar letras, soletrar e organizar ideias.

Muitas crianças aprendem a escrever com facilidade, mas algumas têm mais dificuldade. Crianças com dificuldades de escrita podem enfrentar desafios tanto com o ato físico de escrever quanto com a expressão de ideias por escrito, ou ambos.

Esses problemas não estão relacionados à baixa inteligência, falta de esforço ou ensino inadequado. Muitas vezes, a criança realmente está se esforçando, mas encontra barreiras específicas no processo. Essas dificuldades podem estar ligadas a diferenças na forma como o cérebro processa a linguagem e a expressão escrita.

Crianças com dificuldades de escrita podem precisar de ajuda extra e métodos de ensino especializados.

O que é esperado?

A escrita, assim como a leitura, é uma habilidade que se desenvolve com o tempo.

Veja o que costuma ser esperado em diferentes idades:

  • Até os 3 anos: As crianças costumam rabiscar e podem começar a copiar algumas letras.
  • Entre 4 e 5 anos: Se ensinadas, começam a escrever algumas letras, especialmente as do próprio nome. Podem também escrever algumas palavras simples.
  • Até os 6 anos: A maioria consegue escrever a maior parte das letras, seu nome e frases simples.
  • Até os 7 anos: Conseguem escrever pequenas histórias e começam a usar pontuação.
  • Entre 8 e 9 anos: A escrita se torna mais organizada e detalhada. Começam a usar estilos diferentes conforme a finalidade do texto.
  • Entre 10 e 11 anos: Já escrevem histórias e redações mais longas e complexas. Passam a entender e aplicar melhor as regras gramaticais.
  • Entre 12 e 14 anos: Escrevem em vários estilos e para diferentes públicos. Conseguem revisar e editar seus textos com mais eficiência.

Essas habilidades se desenvolvem gradualmente e com diferenças entre as crianças. Algumas aprendem mais rápido, outras precisam de mais tempo e prática.

O importante é que estejam em constante progresso, com apoio da família e da escola.

Quando devo me preocupar?

Há vários sinais que podem indicar dificuldades na escrita. Eles variam conforme a idade da criança. Os desafios podem estar relacionados à parte motora (ato de escrever) ou à parte cognitiva (expressar ideias), ou ambos.

Dificuldades motoras podem incluir:

  • Dificuldade para formar letras: Letras mal formadas, de tamanhos irregulares ou mal fechadas.
  • Problemas de espaçamento: Letras muito juntas, espaçadas demais ou fora de linha.
  • Pegada estranha no lápis: A criança pode segurar o lápis de forma inadequada ou com muita força.
  • Cansaço ao escrever: Escrever pode cansar e causar dor ou cãibra na mão.

Dificuldades cognitivas podem incluir:

  • Problemas com ortografia: A criança pode esquecer de colocar algumas letras, ou colocar letras que não deveriam estar lá, ao escrever uma palavra.
  • Erros gramaticais e de pontuação: A criança pode cometer muitos erros com as regras da língua portuguesa, como de pontuação das frases.
  • Dificuldade para organizar ideias: A criança pode ter dificuldade em organizar seus pensamentos em um texto. Sua escrita pode não ter uma boa estrutura.
  • Problemas para expressar ideias: Dificuldade em colocar boas ideias no papel de forma clara.
  • Escrita muito lenta: A criança escreve de forma muito mais lenta que os colegas da mesma idade.

Se a escrita interfere no desempenho geral e afeta a autoestima ou causa sofrimento, é importante investigar.

Quanto mais cedo a dificuldade for compreendida, maiores as chances de a criança desenvolver estratégias para superá-la com apoio adequado.

O que posso fazer para ajudar?

Como cuidador(a), é essencial manter a paciência e oferecer apoio.

Reforce que todos aprendem em ritmos diferentes e que errar faz parte do processo.

Aqui estão algumas estratégias que também podem ajudar:

  1. Converse com o(a) professor(a): Eles podem oferecer informações sobre as necessidades da criança e sugerir estratégias.
  2. Crie um espaço adequado para escrever: Um local organizado, com materiais apropriados, pode ajudar bastante.
  3. Incentive diferentes formas de escrita: Diários, cartas, histórias ou listas de compras podem tornar o ato de escrever mais interessante.
  4. Divida as tarefas de escrita: Quebrar grandes tarefas em etapas menores ajuda a evitar sobrecarga.
  5. Use organizadores gráficos: Mapas mentais ou esquemas ajudam a estruturar ideias antes de escrever.
  6. Ofereça feedback positivo: Foque nos pontos fortes e comemore o progresso e o esforço, mesmo que pequeno.
  7. Torne a escrita divertida: Jogos, desenhos ou contar histórias em voz alta podem tornar a escrita mais envolvente.

Com paciência e apoio, a escrita pode deixar de ser motivo de sofrimento e se transformar em uma ferramenta de expressão da criança.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Se as dificuldades durarem mais do que algumas semanas, é importante buscar uma avaliação profissional ou apoio da escola. Agir cedo é melhor para o desenvolvimento da escrita e da autoestima da criança.

Além dos professores e dependendo da escola, há vários profissionais que podem ajudar, como professores de educação especial e especialistas em aprendizagem. Esses profissionais, especialmente os que têm experiência com alunos que aprendem de maneira diferente, podem oferecer um bom suporte.

Também é possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.

Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:

  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
  • Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
  • Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.

Quanto antes o apoio for iniciado, maiores as chances de que a criança supere os desafios e desenvolva mais confiança em suas habilidades. A escrita pode ser uma ponte entre o que a criança sente, pensa e deseja expressar, e todo esforço para fortalecer essa ponte vale a pena.

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