Dificuldades com controle da bexiga
Talvez você já tenha ouvido falar ou visto alguma criança que, mesmo depois de certa idade, ainda faz xixi sem querer, seja durante a noite ou até durante o dia, mesmo quando está acordada.
Isso é chamado de enurese, ou “dificuldade para controlar a bexiga”. Não é falta de cuidado ou preguiça, nem algo que a criança escolhe fazer de propósito.
O corpo dela pode ainda estar aprendendo a entender quando é hora de ir ao banheiro, ou ela pode dormir tão profundamente que não percebe a vontade de fazer xixi.
Também pode ser algo que acontece por estresse ou mudanças na rotina, como uma nova escola, a chegada de um irmãozinho ou outras situações que mexem com as emoções dela.
Para você, como jovem, talvez esse problema não seja algo direto, mas pode ser muito importante para as crianças que você conhece e convive, como irmãos mais novos, primos, vizinhos ou colegas da escola.
O que é esperado?
Fazer xixi na roupa é comum entre crianças pequenas, principalmente na creche ou pré-escola. A maioria das crianças aprende a usar o banheiro por volta dos 3 anos.
Veja o que é comum em cada idade:
- Até os 3 anos: A maioria das crianças já não usa fralda, mas ainda pode acontecer de fazer xixi na roupa.
- Por volta dos 5 anos: As crianças geralmente têm mais controle do xixi, mas ainda podem ter acidentes, especialmente em momentos de estresse.
Crianças pequenas, especialmente com menos de 5 anos e ainda em processo de desfralde, podem ter acidentes na escola.
Elas ainda estão aprendendo a entender os sinais do próprio corpo e podem demorar demais para ir ao banheiro.
Quando devo me preocupar?
Se acidentes como esse acontecem com frequência com crianças com mais de 5 anos, esse é um sinal importante.
Pode ser difícil perceber, porque muitas crianças tentam esconder quando fazem xixi sem querer.
Mas você pode reparar alguns sinais, os quais você deve se preocupar se alguma criança do seu convívio apresentar.
Por exemplo, a roupa da criança pode estar molhada, ou ela pode evitar brincar por muito tempo longe do banheiro. Talvez ela não goste de dormir na casa de amigos ou participe menos de atividades que envolvam dormir fora de casa, como acampamentos ou viagens da escola.
Você também pode perceber se a criança próxima à você fica mais tímida ou preocupada quando o assunto é ir ao banheiro.
Outro sinal importante é quando a criança evita falar sobre isso ou muda de assunto rápido quando alguém toca no tema.
É muito importante que você respeite essa situação e nunca faça piadas ou comentários que possam envergonhá-la. Mostrar empatia e respeito ajuda a criar um ambiente seguro para que a criança se sinta protegida.
O que posso fazer para ajudar?
Se alguma criança do seu convívio apresenta alguma dificuldade para controlar o xixi, saiba que você, enquanto alguém próximo, pode ajudar de algumas formas:
- Aja com naturalidade, sem fazer a criança se sentir estranha ou diferente.
- Não brigue. Se perceber que ela teve um episódio, evite chamar atenção para isso, principalmente na frente de outras pessoas.
- Ofereça uma solução prática: Você pode, por exemplo, ajudar a encontrar um banheiro rapidamente, oferecer uma roupa extra se ela precisar.
- Converse com um adulto de confiança: Explique o que você está percebendo a algum tutor da criança, como um parente ou responsável, para que ela receba ajuda.
- Demonstrar que você está ao lado dela e que não vai julgar é fundamental para que ela se sinta segura.
E lembre-se: o que ela mais precisa é de compreensão e apoio, não de críticas ou piadas, certo?
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
O passo mais importante que você pode dar para ajudar uma criança do seu convívio com essa dificuldade, é informar os responsáveis sobre que tipo de ajuda profissional eles podem buscar.
Seja mãe, pai, tio, avó ou qualquer outro adulto responsável pela criança, é importante que se saiba que há ajuda profissional disponível.
Como pode haver vários fatores para essa dificuldade de segurar o xixi, o recomendável é que se busque acompanhamento com profissionais especializados, como pediatra, psicólogo(a) ou psiquiatra, conforme o caso.
É possível buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência da família do(a) aluno(a), onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Mesmo que você não tenha esse problema, alguma criança do seu convívio pode estar passando por isso e se sentindo sozinhas ou envergonhadas. Por isso, seu apoio é fundamental!
Onde encontrar
mais informações
Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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