Bullying
Os colegas desempenham papéis muito importantes no desenvolvimento social e emocional dos estudantes. Os relacionamentos com outros estudantes proporcionam um contexto único em que eles aprendem muitas habilidades, como cooperação e empatia.
A influência dos colegas começa cedo e se torna mais forte à medida que os estudantes crescem. À medida que os estudantes desenvolvem independência em relação aos pais e começam a entender quem são, os colegas se tornam uma fonte significativa de apoio social e emocional, sendo fundamentais na construção do sentimento de pertencimento.
É natural, saudável e importante para os estudantes ter e confiar nos amigos enquanto crescem. No entanto, assim como bons relacionamentos com os colegas são cruciais para o desenvolvimento e bem-estar, conflitos entre colegas e relacionamentos negativos podem causar muito estresse.
Algumas crianças ou adolescentes podem sofrer ações de agressão ou intimidação sistemáticas por parte de outras crianças ou adolescentes, gerando um impacto significativo na vida social, escolar e familiar dessas pessoas. Isso se chama bullying.
É importante entender que estudantes vítimas ou agressores estão em sofrimento e que o ambiente escolar pode amplificar ou reduzir esse impacto.
Quando provocações esperadas se tornam bullying?
Experiências sociais dolorosas ou constrangedoras fazem parte do crescimento, e quase todos já foram alvo de provocações. Aprender a se recuperar dessas interações é uma habilidade útil para os estudantes.
No entanto, ser intimidado(a) ou intimidar os outros não é algo que deve ser ignorado, pois pode ter efeitos emocionais negativos duradouros.
As provocações e comportamentos agressivos em relação aos colegas se tornam bullying quando:
- Há uma diferença de poder. O bullying é praticado por alguém que tem mais poder (como mais força, tamanho, popularidade ou dinheiro) sobre alguém que tem menos.
- Há a intenção de causar dano. O bullying pode incluir ataques físicos, ameaças verbais, espalhar rumores ou excluir alguém de propósito.
- É repetido. O bullying acontece várias vezes, não é algo pontual.
- Causa dano. Se a provocação ou maldade afeta o bem-estar ou a vida diária de uma criança ou adolescente, é bullying.
Os estudantes geralmente não praticam bullying porque são pessoas más. Alguns motivos pelos quais os estudantes podem praticar bullying incluem:
- Eles querem se encaixar com amigos que estão praticando bullying com alguém.
- Eles estão sendo intimidados em casa ou na escola.
- Eles querem atenção dos outros para se sentirem importantes.
- Eles são impulsivos e ainda não aprenderam boas maneiras de lidar com seus impulsos.
- Eles se sentem ameaçados(as) pela presença ou protagonismo de outros estudantes.
- Eles acham que os outros são maus com eles, mesmo que não sejam.
- Eles não entendem o quanto seu comportamento machuca os outros.
O que é cyberbullying?
O cyberbullying é o bullying que acontece online. Ele envolve abuso psicológico, como intimidação, ameaças, humilhação ou perseguição, praticado repetidamente por meios eletrônicos, como redes sociais ou salas de bate-papo.
Os cyberbullies (como são chamadas as pessoas que praticam o bullying online) frequentemente se escondem atrás de telas e identidades falsas, o que dificulta para as vítimas se defenderem.
O impacto do bullying e cyberbullying vai além do momento em que ele ocorre: afeta a autoestima, o rendimento escolar, as relações sociais e a saúde emocional.
Crianças e adolescentes que passam por essas situações podem sentir medo de ir à escola, tristeza, ansiedade, raiva ou até vergonha de contar o que está acontecendo.
Quando devo me preocupar?
Conflitos e desentendimentos entre estudantes são naturais e fazem parte do desenvolvimento social. O que foge do esperado é quando as ações de humilhação, agressão ou exclusão se repetem e têm intenção de prejudicar.
Embora a maioria dos estudantes envolvidos em bullying não peça ajuda, existem sinais de alerta. Aqui estão alguns sinais de que um(a) estudante pode estar sendo vítima de bullying (esses sinais também são parecidos no caso de cyberbullying):
Sinais de que um(a) estudante pode estar sendo vítima de bullying ou cyberbullying:
- Roupas, livros ou pertences perdidos ou danificados
- Cortes, hematomas ou arranhões inexplicáveis
- Poucos ou nenhum(a) amigo(a), ou perder amigos de repente
- Medo de ir à escola ou inventar desculpas para não ir
- Dores de cabeça frequentes, dor de barriga ou fingir estar doente
- Queda nas notas e perda de interesse pela escola
- Tristeza, ansiedade, baixa autoestima, irritabilidade ou depressão
- Dificuldade para dormir ou pesadelos frequentes
- Mudanças nos hábitos alimentares, como perda de apetite ou comer demais
- Comportamentos autodestrutivos como fugir de casa, autolesão ou falar sobre suicídio
Sinais de que um(a) estudante pode estar praticando bullying ou cyberbullying com os outros:
- Envolver-se em brigas
- Ter amigos que praticam bullying com outros
- Ser excessivamente agressivo
- Ser frequentemente enviado à direção ou para a detenção
- Ter dinheiro extra ou coisas novas sem explicação
- Culpar os outros pelas próprias ações, podendo mentir para obter vantagens
- Pouca ou baixa tolerância às regras
- Preocupação excessiva com a reputação ou popularidade.
O que posso fazer para ajudar?
Se você é professor(a) e percebe possíveis situações de bullying em sua escola, aqui estão algumas coisas que você pode tentar:
- Comunicação aberta: Converse com os(as) alunos(as) envolvidos(as) para entender a situação. Evite fazer suposições ou intervir antes de entender completamente a dinâmica.
- Coletar informações: Converse com os(as) alunos(as) envolvidos(as) para entender a situação sem interrompê-los(as). Evite tentar resolver o problema imediatamente sem ouvir a perspectiva de todos.
- Estabeleça regras claras na sala de aula: Crie e aplique regras contra o bullying, envolvendo os(as) alunos(as) em discussões sobre comportamento respeitoso e consequências.
Depois de conversar com os(as) alunos(as) e entender a situação, aqui estão algumas dicas para ajudar os(as) estudantes envolvidos em bullying:
- Ofereça apoio e empatia: Deixe os(as) alunos(as) saberem que você se importa e está lá para ajudar. Pergunte como eles(as) gostariam de ser apoiados(as).
- Pergunte aos alunos(as) que tipo de ajuda eles precisam. Discuta com os(as) estudantes o que pode ser feito para ajudá-los(as) a lidar com a situação.
- Informe os cuidadores: Entre em contato com os cuidadores do(a) aluno(a) para compartilhar suas observações e discutir estratégias para enfrentar o bullying.
- Colabore com a equipe de apoio escolar: Consulte o(a) conselheiro(a) escolar, psicólogo(a) ou assistente social para obter orientações e recursos.
Que tipo de apoio profissional posso buscar?
Embora educadores não possam buscar apoio profissional para os(as) estudantes, é fundamental que eles saibam como orientar os cuidadores sobre o que eles devem e podem fazer.
Comece conversando com a família da criança ou do(a) adolescente que está sofrendo e que está cometendo o bullying. Explique com calma e paciência o que observa no(a) estudante.
Você pode recomendar que ele(a) seja encaminhado(a) ao pediatra ou médico de família. Esses profissionais podem orientar os primeiros passos e, se necessário, encaminhá-lo para um(a) especialista em saúde mental, como um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra infantil.
É possível também buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O cuidado pode começar na Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da residência familiar, onde a equipe de saúde pode fazer o primeiro acolhimento e encaminhar para serviços especializados, se necessário.
Outras formas de atendimento também estão disponíveis em:
- Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): oferecem atendimento contínuo e especializado para crianças e adolescentes com sofrimento psíquico mais intenso.
- Centros de Especialidades Médicas e Psicossociais: presentes em algumas cidades, com equipes multiprofissionais.
- Ambulatórios de hospitais universitários ou regionais: muitas vezes oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.
Profissionais de saúde mental podem ajudar tanto a criança quanto os cuidadores. Eles irão avaliar o impacto do bullying e criar estratégias de prevenção.
Eles trabalham junto com a família, oferecendo estratégias para lidar com os sintomas em casa, na escola e durante o tratamento.
Onde encontrar
mais informações
Saiba como funciona o SUS para saúde
mental de crianças e adolescentes.
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