Sentir medo excessivo de coisas ou situações específicas

Tem gente que sente medo de algumas coisas bem específicas, como alguns animais, escuro, altura ou até lugares fechados. Isso pode acontecer com qualquer pessoa.

Mas, às vezes, esse medo é tão forte que pode atrapalhar ou comprometer a vida. Você pode começar a evitar lugares ou situações só para não ter que lidar com aquilo.

E não adianta alguém dizer que “é só um bichinho” ou que “você está exagerando”, pois o corpo reage como se fosse um grande perigo: o coração dispara, a respiração fica difícil, dá vontade de chorar, fugir ou se esconder. Isso não é frescura, nem falta de coragem, certo?

Quando o medo vira algo desproporcional, ele pode trazer muito sofrimento. Mesmo sabendo que não faz sentido, você pode se sentir paralisado só de pensar no que teme. Isso não tem a ver com ser fraco, tem a ver com como o cérebro entende certas coisas. E para isso existe ajuda.

O que é esperado?

Todos nós temos medos em diferentes fases da vida. Eles podem mudar de acordo com o que está acontecendo conosco.

Veja alguns exemplos comuns de medos:

  • Barulhos muito altos
  • Pessoas desconhecidas
  • Tempestades
  • Ficar longe dos pais
  • Fantasmas ou monstros
  • Se machucar ou ficar doente
  • Violência
  • Provas ou atividades escolares
  • Aparência física
  • Situações que causam vergonha

Os medos fazem parte da nossa vida, e eles protegem a gente de perigos reais. Por isso, a preocupação sobre o medo deve ocorrer apenas se você sentir que esse desconforto está te impedindo de viver momentos que poderiam ser positivos para você.

Cada pessoa reage de um jeito quando precisa enfrentar situações de medo. Pode ser chorando, ficando nervosa, travando, querendo ficar perto de alguém ou evitando a situação que dá medo.

Às vezes nem percebemos que o medo é exagerado ou que não faz sentido, de tão intenso que podemos sentir ele.

Quando devo me preocupar?

Medos fazem parte da vida, mas não devem te impedir de fazer coisas importantes ou que você gosta.

Veja alguns exemplos para entender melhor:

  • Exemplo 1: É natural sentir desconforto em lugares altos, mas evitar subir escadas ou atravessar uma passarela é um sinal de alerta.
  • Exemplo 2: É natural não gostar de agulhas, mas não conseguir fazer exames ou tomar vacinas por causa delas pode ser um motivo de atenção.

Alguns medos comuns que podem atrapalhar bastante o dia a dia incluem:

  • Animais (como cachorros, aranhas, insetos, cobras ou pássaros)
  • Espaços pequenos ou fechados (como elevadores, armários ou quartos apertados)
  • Lugares altos (como telhados, pontes ou janelas altas)
  • Ver sangue, ir ao dentista ou tomar injeção
  • Tempestades, ventos fortes ou ficar perto de água
  • Pessoas fantasiadas ou com máscaras (como palhaços)
  • Meios de transporte (como aviões, carros ou ônibus)
  • Criaturas como monstros, fantasmas ou alienígenas

Se você se identificou algumas dessas características, saiba que você não precisa passar por isso sozinho(a). O medo não precisa tomar conta da sua vida. Se está difícil lidar, é sinal de que você merece apoio.

O que posso fazer se eu (ou um(a) amigo(a)) estiver passando por isso?

Quando a gente entende melhor o que sente, fica mais fácil buscar estratégias para lidar. Se você sente que tem medo demais, aqui vão algumas ideias que podem ajudar:

  1. Peça ajuda: Fale com alguém de confiança, pode ser um familiar, um(a) professor(a) ou outro adulto que você respeite. Dividir o que você sente já pode trazer alívio.
  2. Entenda o que acontece no corpo: o medo faz o cérebro soar um “alarme” mesmo quando não há perigo real. É por isso que o coração dispara, a respiração fica difícil e o corpo fica tenso.
  3. Encare aos poucos: enfrentar devagar o que dá medo ajuda a diminuir esse sentimento com o tempo. Por exemplo: se a nova escola assusta, que tal visitá-la antes do primeiro dia?
  4. Dê passos pequenos: se tem medo de ficar sozinho(a), comece ficando alguns minutos por dia e aumente o tempo pouco a pouco.
  5. Não deixe o medo mandar: evitar só faz o medo crescer. Quando você enfrenta, mesmo que devagar, vai ganhando coragem e confiança.
  6. Respire fundo e relaxe o corpo: técnicas simples de respiração ou alongamento ajudam a acalmar o corpo quando o medo aparece.
  7. Use pensamentos que fortalecem: frases como “eu consigo tentar” ou “esse medo não manda em mim” podem dar mais confiança.
  8. Tenha paciência consigo mesmo: superar medos leva tempo. Cada pequeno passo conta, mesmo que pareça mínimo. O importante é continuar tentando sem se cobrar demais.

Não precisa ser tudo de uma vez, certo? Cada passo conta. E lembre-se: não tem nada de errado com você por sentir medo. Você só está agindo do jeito que seu cérebro aprendeu, e isso pode mudar. O medo não te define.

Que tipo de apoio profissional posso buscar?

Se o medo está te atrapalhando de verdade, procurar ajuda profissional pode fazer toda a diferença.

Você pode dividir sua dificuldade com um profissional da sua escola, ou um(a) médico(a), como um(a) pediatra, clínico(a) geral ou o(a) profissional da Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima.

Esse profissional vai te escutar, entender o que está acontecendo e, se necessário, encaminhar você para um(a) psicólogo(a) ou psiquiatra, que são especialistas em saúde mental. Saiba que esses profissionais ajudam a lidar melhor com as emoções e podem auxiliar a entender de onde vem esse medo e como enfrentá-lo com mais segurança.

No SUS (Sistema Único de Saúde), você tem acesso gratuito a esses cuidados em locais como:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS): ponto de partida para receber orientações e encaminhamentos.
  • Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPS i): serviços especializados para adolescentes que precisam de mais apoio emocional.
  • Ambulatórios e hospitais públicos: em algumas cidades, oferecem atendimento psicológico e psiquiátrico gratuito.

O importante é lembrar: você não está sozinho, e existe ajuda. O medo não precisa controlar a sua vida.

Pedir ajuda não é fraqueza, é um jeito de se cuidar. Com o apoio de adultos e profissionais que se importam com você, é possível entender o que está acontecendo e encontrar formas de se sentir melhor.

Guias de Bolso

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Saiba como funciona o SUS para saúde
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